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    Anvisa aprova primeira terapia-alvo para tumores sólidos com mutação genética

    O tratamento foi desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly e é primeiro tratamento aprovado para tumores com essas características

    Anvisa aprova primeira terapia-alvo oral para tratamento de cânceres sólidos com mutação no gene RET
    Anvisa aprova primeira terapia-alvo oral para tratamento de cânceres sólidos com mutação no gene RET Lock Stock/GettyImages

    Gabriela Maraccinida CNN

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, na última semana, o Retsevmo (selpercatinibe), da farmacêutica Eli Lilly. Trata-se de uma terapia-alvo oral indicada para o tratamento de tumores sólidos avançados ou metastáticos (ou seja, que está se espalhando para outros órgãos) que sofreram alterações no gene RET. Esse é a primeiro e único tratamento aprovado para tumores com essas características.

    O tratamento é indicado para o câncer de pulmão de células não pequenas avançado, câncer de tireoide avançado e qualquer tumor metastático que tenha fusão ou mutação no gene RET. Esse gene está envolvido em diversas funções do desenvolvimento de células e, quando sofre alguma alteração, pode dar origem a células tumorais, causando esses tipos de cânceres.

    “Todos nós temos o gene RET em nossas células, da mesma forma que todos nós temos torneiras em nossas casas. Quando uma célula tem uma alteração que ativa o gene RET, as células se proliferam de uma forma desordenada; é como se sua torneira ficasse aberta indefinidamente, permitindo que a água se espalhasse sem controle. O Retsevmo age como uma ferramenta que ajuda a fechar a torneira e inibir diretamente a origem do problema”, explica Guilherme Harada, médico oncologista e coordenador de pesquisa clínica em oncologia do Hospital Sírio-Libanês.

    Isso é possível porque o Retsevmo é uma terapia-alvo, ou seja, é um tratamento que ataca especificamente as células cancerígenas, causando poucos danos às células normais. Por isso, ele é interessante para pacientes oncológicos que apresentam essas mutações no gene RET, pois ataca especificamente as células anormais que causaram o câncer devido às alterações nesse gene. Em tratamentos convencionais, como quimioterapia, o tratamento também atinge células saudáveis, ampliando os efeitos colaterais indesejáveis.

    Quando a terapia-alvo é indicada?

    Para saber se uma terapia-alvo pode fazer parte do tratamento para câncer, é preciso fazer alguns exames específicos que identificam genes, proteínas e outras moléculas que podem estar envolvidas no desenvolvimento do tumor. É o caso do teste de biomarcadores.

    “Saber a alteração principal que está causando o câncer pode ajudar na seleção do melhor tratamento. Em uma época em que existem muitos tratamentos contra o câncer disponíveis, testes amplos de biomarcadores podem ajudar pacientes e médicos a encontrarem a opção de tratamento mais adequada”, afirma o Harada.

    Além disso, o médico explica que a terapia-alvo, quando bem indicada, pode proporcionar um tratamento mais eficaz e menos agressivo que a quimioterapia. “Os testes amplos de biomarcadores são fundamentais para encontrar a opção de tratamento mais adequada que possibilite que o paciente tenha melhor qualidade de vida, além do aumento de sobrevida”, explica.

    “Porém, é sempre importante lembrar que os pacientes devem antes conversar com seu médico, o qual indicará o melhor teste e momento para a realização dessas análises”, ressalta Harada.

    Como foi feita a aprovação do Retsevmo?

    A aprovação do Retsevmo pela Anvisa foi baseada em três estudos clínicos. No primeiro deles, que abrangeu 16 países e 85 centros de estudo, a terapia-alvo apresentou respostas significativas e duradouras em vários tipos de tumor em pacientes com alterações no gene RET, incluindo câncer de pulmão de células não pequenas, tireoide e outros tumores sólidos sem opções de tratamento disponíveis.

    Os outros dois estudos, apresentados no Congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO 2023) e publicados simultaneamente no New England Journal of Medicine, demonstraram prolongamento da sobrevida livre de progressão do tumor e a redução ou desaparecimento do tumor em pacientes que utilizaram a terapia-alvo.