Anvisa recomenda medidas de restrição para voos e viajantes procedentes da África do Sul

Botsuana, Eswatini, Lesoto, Namíbia e Zimbábue também estão na lista; recomendação acontece após identificação da variante B.1.1.529

Passageiro desembarca no Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos (SP), com máscara de proteção ao coronavírus
Passageiro desembarca no Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos (SP), com máscara de proteção ao coronavírus Foto: Amanda Perobelli - 27.fev.2020/ Reuters

Rafaela LaraGiovanna Inoueda CNN

em São Paulo e Brasília

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomendou nesta sexta-feira (26) medidas restritivas para voos e viajantes procedentes da África do Sul, Botsuana, Eswatini, Lesoto, Namíbia e Zimbábue.

As recomendações acontecem em função da descoberta de uma nova variante do SARS-CoV-2, identificada como B.1.1.529. A nova cepa da Covid-19 foi identificada pela primeira vez na África do Sul. A nota técnica da Anvisa foi encaminhada à Casa Civil.

A efetivação das medidas recomendadas hoje pela Anvisa depende de portaria interministerial editada conjuntamente pela Casa Civil, pelo Ministério da Saúde, pelo Ministério da Infraestrutura e pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.

As recomendações da Anvisa são:

  •  Suspensão imediata dos voos procedentes da África do Sul, Botsuana, Eswatini, Lesoto, Namíbia e Zimbábue;
  •  Suspensão, em caráter temporário, da autorização de desembarque no Brasil de viajante estrangeiro com passagem pela África do Sul, Botsuana, Eswatini, Lesoto, Namíbia e Zimbábue nos últimos 14 dias, que não se enquadre nas exceções a serem determinadas pelos órgãos competentes e de imigração;
  • Realização de quarentena, logo após o desembarque no Brasil, para viajantes brasileiros e seus acompanhantes legais ou que se enquadrem nas excepcionalidades previstas na Portaria 658/2021, com origem ou histórico de passagem pela África do Sul, Botsuana, Eswatini, Lesoto, Namíbia e Zimbábue nos últimos 14 dias que antecedem a entrada no país.

A Anvisa pede ainda reforço no monitoramento de viajantes dos países citados que desembarquem no Brasil até a implementação das medidas sugeridas. Viagens não essenciais a estes países também devem ser evitadas, segundo o órgão.

“Até que as medidas restritivas sugeridas nesta Nota Técnica sejam implementadas, a Agência recomenda que seja reforçado o monitoramento, por parte das autoridades de saúde, de viajantes procedentes dos países citados, com desembarque no Brasil”, diz a agência.

Mais cedo, a Organização Mundial de Saúde (OMS) não aconselhou a imposição de restrições de viagens devido à nova cepa. Segundo a organização, os países deveriam adotar uma “avaliação de risco baseada na ciência”. “A OMS recomenda que os países continuem a aplicar uma abordagem científica e baseada no risco ao implementar medidas de viagem.”

Em Genebra, uma reunião da OMS com especialistas aconteceu nesta manhã para avaliar os possíveis impactos da B.1.1.529 e determinar se a nova cepa se trata de uma variante de “interesse” ou de “preocupação”. Segundo cientistas, a variante B.1.1.529 apresenta uma ampla gama de mutações.

Porém, segundo um comunicado emitido pelo Ministério da Saúde a secretarias estaduais e obtido pela CNN, a pasta já teria sido informada pela OMS que a nova cepa é classificada como “variante preocupante”.

Países começam a impor restrições

Países europeus, como a Itália, a República Tcheca, o Reino Unido e a Holanda já impuseram restrições a voos provenientes de países da África Austral devido preocupações com a nova variante.

A medida deve tomar maiores proporções nas próximas semanas. Isso porque a comissão da União Europeia também pretende propor a interrupção de viagens da região da África Austral em meio à crescente preocupação sobre a variante detectada na África do Sul, disse a chefe da Comissão da UE, Ursula von der Leyen, nesta sexta-feira.

As decisões do Conselho Europeu, que representa os Estados-Membros, não têm de ser tomadas pelos ministros, mas também podem ser assinadas pelos embaixadores do país em Bruxelas.

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