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    Araraquara vive colapso na saúde pública em meio a lockdown

    "Araraquara é uma das cidades que mais preocupa em São Paulo", diz secretário de Saúde; cidade do interior atingiu 100% da ocupação na UTI e falta oxigênio

    Leitos de UTI e enfermaria para Covid-19 em hospitais do interior de SP (18.dez.2020)
    Leitos de UTI e enfermaria para Covid-19 em hospitais do interior de SP (18.dez.2020) Foto: Reprodução/CNN

    Estadão Conteúdo

    Araraquara, município no centro do Estado de São Paulo com 238 mil habitantes, viu seu sistema de saúde colapsar nesta terça-feira (16) um dia após a cidade ter decretado lockdown.

    Segundo a prefeitura, 100% dos leitos destinados ao tratamento da Covid-19 em UTI e enfermaria estavam ocupados e 16 pacientes com necessidade de oxigênio aguardavam pela manhã uma vaga de internação.

    No início da tarde, os secretários estaduais de Saúde, Jean Gorinchteyn, e de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, estiveram no hospital de campanha com o prefeito Edinho Silva (PT) e anunciaram que o Estado abrirá 70 leitos para covid-19 na cidade, com um investimento de R$ 1,5 milhão.

    “Araraquara é uma das cidades que mais preocupa no Estado de São Paulo”, disse Gorinchteyn.

     

    Antes, os secretários estiveram em Jaú, outra cidade da região central de São Paulo que registrou a variante de Manaus em pacientes e confirmou ontem seis mortes. Jaú receberá R$ 7,5 milhões do Estado, para montagem também de um hospital de campanha.

    Araraquara tem 212 pacientes internados, 63 deles em UTI. Há um total de 973 pessoas em quarentena.

    O número de mortes por covid-19 confirmadas nos primeiros 15 dias de fevereiro equivale a um terço do óbitos registrados pela doença em 2020. Com mais cinco mortes confirmadas ontem, a cidade – que chegou a ter a menor taxa de mortalidade em 2020 – passou a 153 óbitos, 37 deles confirmados em fevereiro.

    Dos 16 pacientes que aguardavam atendimento pela manhã, a prefeitura informou que 11 conseguiram vaga de internação na cidade, um foi transferido para Matão, município vizinho, e os outros quatro ficaram aguardando na UPA Vila Xavier.

    “O único mecanismo que a gente tem neste momento, já que não há vacina para todos, é distanciamento social”, disse ao Estadão a secretária de Saúde de Araraquara, Eliana Honain.

    Toque de recolher

    Ontem, o governador da Bahia, Rui Costa (PT), afirmou, em entrevista à TV Bahia, que estuda adotar toque de recolher no Estado. “Vamos, sim, adotar medidas restritivas para outras atividades e até analiso a possibilidade, se mantiver ao longo dessa semana essas mesmas taxas, de implementarmos o toque de recolher em todo o Estado da Bahia para evitar o pior.”

    Perto dos 100%

    Outra cidade que enfrenta dificuldades no atendimento a pacientes com covid-19 é Goiânia (GO). Com alta de contaminados e mortos, o município teve ontem 100% dos leitos ocupados no Hospital de Campanha de Goiânia e 90% da rede como um todo. Em Goiás já passam de 8 mil os mortos por covid-19 desde 26 de março. Até agosto eram 3 mil. Em cinco meses e meio, o número mais que dobrou.

    As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.