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    AstraZeneca: vacina segue em uso no Brasil; entenda caso de desinformação

    Nota técnica do Ministério da Saúde de dezembro de 2022 foi descontextualizada ao afirmar que o imunizante seria descontinuado no país

    Vacinas da AstraZeneca contra a Covid-19 com fabricação 100% nacional pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)
    Vacinas da AstraZeneca contra a Covid-19 com fabricação 100% nacional pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Myke Sena/MS

    Lucas Rochada CNN

    em São Paulo

    A vacina contra a Covid-19 da AstraZeneca volta às discussões no Brasil. Informações desencontradas afirmam que o uso do imunizante produzido no país pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) seria descontinuado.

    A questão veio à tona esta semana provocando notas de esclarecimento sobre o assunto pelo Ministério da Saúde, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a própria Fiocruz.

    A CNN consultou o ministério e a fundação para explicar o contexto.

    Origem da desinformação

    Uma nota técnica publicada pelo Ministério da Saúde em dezembro de 2022 é o ponto de partida da informação conflitante que circula nas redes sociais. O documento cita novas recomendações para vacinação com as imunizantes de vetor viral no país a partir de avaliações de benefícios versus risco.

    A nota afirma que todas as vacinas contra a Covid-19 têm um bom perfil de segurança e que casos de reações adversas graves são avaliados. Nesse sentido, o texto cita relatos de países europeus, como Áustria, Dinamarca, Noruega, Alemanha e Reino Unido, e da Austrália, de casos raros de trombose relacionados à vacinação com a AstraZeneca.

    “A incidência de ocorrência é bastante variável entre os diferentes países, com estimativas entre 0,2 casos por 100 mil doses aplicadas até 3,8 casos por 100 mil doses aplicadas. Devido à raridade das ocorrências, ainda não foi possível identificar fatores de risco associados à síndrome a exceção de um aparente aumento do risco em indivíduos com idade abaixo de 40 anos de idade”, diz a nota técnica.

    Nesse contexto, considerando estes dados, a situação epidemiológica da Covid-19 no país e a elevada cobertura vacinal na população adulta, o ministério faz uma atualização das recomendações vacinais.

    O ministério afirma que as vacinas de vetor viral, como a AstraZeneca e a Janssen, estão indicadas para uso na população a partir de 40 anos de idade. Para indivíduos de 18 a 39 anos de idade, devem ser administradas preferencialmente vacinas de RNA mensageiro, como a da Pfizer. Entretanto, nos locais de difícil acesso ou na indisponibilidade do imunizante dessa plataforma, poderão ser utilizadas as vacinas AstraZeneca e Janssen.

    O que diz o Ministério da Saúde

    Em nota publicada na quinta-feira (13), o Ministério da Saúde reforçou que todas as vacinas ofertadas à população são seguras, eficazes e aprovadas pela Anvisa. A partas afirmou que as estratégias de vacinação no Brasil, assim como os imunizantes indicados para cada público, levam em conta o avanço tecnológico do setor e novas evidências científicas sobre o tema, que são discutidas no âmbito da Câmara Técnica de Assessoramento em Imunizações (CTAI).

    “A vacina AstraZeneca, desenvolvida no início da pandemia, e produzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), foi extremamente importante para o controle dos casos e redução de óbitos por Covid-19 no país e no mundo, salvando milhares de vidas. Desde dezembro de 2022, essa vacina é indicada para pessoas a partir de 40 anos, de acordo com as evidências científicas mais recentes”, diz o ministério em nota.

    O ministério destacou a importância da vacinação contra a Covid-19 para os públicos aptos, que são pessoas a partir dos seis meses de idade. “Os eventos adversos, inerentes a qualquer medicamento ou imunizante, são raros e ocorrem, em média, um a cada 100 mil doses aplicadas, apresentando risco significantemente inferior ao de complicações causadas pela infecção da Covid-19”, diz a nota.

    O que diz a Fiocruz

    A CNN entrou em contato com a Fiocruz, que produz a vacina por meio do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos). A Fiocruz afirma, em nota, que a vacina produzida pela instituição não foi desautorizada ou descontinuada no país e que cabe ao Ministério da Saúde a definição sobre a política de vacinação no país.

    “Com a publicação da Nota Técnica em questão, as vacinas de vetor viral, que incluem o imunizante produzido pela Fiocruz, passaram a ser recomendadas preferencialmente para pessoas acima de 40 anos. Não há, portanto, contraindicação ou proibição para o uso desta vacina para a faixa etária de 18 a 40 anos”, afirma a Fiocruz em nota.

    Segundo a Fiocruz, o acordo de cooperação técnica do Ministério da Saúde com Bio-Manguinhos para produção de insumos, incluindo a vacina AstraZeneca, segue vigente. O contrato com a pasta prevê a entrega escalonada de doses, conforme o andamento e a estratégia de vacinação em todo o país. “Dessa forma, o ministério poderá solicitar produção junto à Fiocruz conforme o planejamento, cronograma e a estratégia de utilização para cada imunizante adotada pela pasta”, diz a nota.

    Ao longo de 2021 e 2022 Bio-Manguinhos escalonou sua capacidade produtiva para atender à velocidade de vacinação exigida pelo momento da pandemia, informa a fundação.

    “Neste momento, em razão do novo cenário epidemiológico e do quantitativo de imunizantes disponíveis, há um contexto de baixa demanda e a produção foi readequada. No momento, Bio-Manguinhos/Fiocruz está produzindo um novo lote de IFA, que permanecerá em estoque para ser processado prontamente caso necessário”, diz a instituição.

    Segundo estimativas da Fiocruz, Bio-Manguinhos já entregou cerca de 211 milhões de doses da vacina contra a Covid-19. Do imunizante 100% nacional, foram produzidos 15,8 milhões de doses, e a instituição possui IFA em estoque equivalente a 38,6 milhões de doses.

    O que diz a Anvisa

    A Anvisa divulgou nota na quinta-feira (13) em que afirma que todas as vacinas contra a Covid-19 aprovadas estão válidas e que os benefícios dos imunizantes superam os possíveis riscos relacionados ao uso desses produtos.

    “A vacinação contra a Covid-19 continua sendo a forma mais eficaz de reduzir mortes e doenças graves pela infecção e os danos da Covid-19. Os benefícios protetores da vacinação superam em muito os riscos potenciais. Todas as vacinas contra a Covid-19 aplicadas no Brasil, e devidamente aprovadas pela Anvisa, tiveram sua eficácia e segurança comprovada. As vacinas contra a Covid-19 salvaram milhares de vidas, evitaram milhões de hospitalizações e desaceleraram a pandemia no Brasil e no mundo”, diz a agência.

    A Anvisa destaca que nenhuma das vacinas contra a Covid-19 aprovadas pela foi proibida ou desautorizada. Sobre a AstraZeneca, a Anvisa reforça que a vacina está registrada no Brasil. Com isso, está autorizada para uso dentro das condições e indicações aprovadas pela agência.