Atraso e fim de contrato podem colocar Butanvac no páreo em setembro

Instituto Butantan quer evitar dependência de insumo vindo da China

Ingrediente Farmacêutivo Ativo (IFA) da Coronavac é desembarcado no aeroporto de Guarulhos, em SP
Ingrediente Farmacêutivo Ativo (IFA) da Coronavac é desembarcado no aeroporto de Guarulhos, em SP Foto: Divulgação/Governo de São Paulo (19.abr.2021)

Tainá Falcão, da CNN, em São Paulo

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Sob o risco de ficar sem insumos para produção da Coronavac ainda neste mês, o Instituto Butantan quer negociar com Ministério da Saúde que já sejam compradas pelo governo federal da Butanvac, outra vacina produzida pelo instituto, mas ainda em fase de testes.

De acordo com governo de São Paulo, o imunizante ficará pronto para uso em setembro — no mesmo mês em que está prevista entrega de mais 30 milhões de doses da Coronavac ao Ministério da Saúde.  Esse seria um terceiro lote negociado pelo Instituto Butantan para o Plano Nacional de Imunização. A ideia seria já ter a Butanvac para oferecer, já que ela não depende do ingrediente farmacêutico ativo (IFA), insumo que vêm da China, para a produção. Pelo menos três governadores já procuraram o Butantan sinalizando interesse nessa vacina. No entanto, ela ainda depende de testes e autorizações da Anvisa.

 

Se aprovada pela Anvisa, a vacina que já está sendo produzida pelo Butantan pode ser a primeira produzida integralmente no Brasil.

Contato

O Butantan tem mantido contato diário com representantes da farmacêutica chinesa Sinovac e com o governo chinês a fim de liberar o produto o quanto antes.

A reportagem da CNN conversou com fontes ligadas ao Butantan, que confirmam diálogo  nesta segunda-feira de manhã (10), ainda sem sucesso.

Nesta segunda-feira ainda, o instituto liberou mais 2 milhões de doses da vacina ao Programa Nacional de Imunizações. A previsão é até sexta-feira entregar outras 2,2 milhões de doses. A partir daí, a produção dependerá da chegada de novos insumos.

Por ora, o Instituto Butantan ainda aguarda autorização da China para liberação de quatro mil litros de insumos com previsão de chegada ao Brasil no próximo dia 18, o que empurraria a entrega de novas remessas ao PNI para junho.

Internamente, diretores que negociam diretamente com a China mantém esperança de conseguir liberar o produto até o dia 15, o que possibilitaria produção e entrega de novas doses até o dia 29 deste mês.

 

Na última quinta-feira, Dimas Covas já havia admitido a possibilidade de atrasos após próximo dia 14 e atribuiu o problema as falas do governo Bolsonaro a respeito do país asiático.

Fiocruz

O Butantan frisou, também nesta segunda, que o atraso de insumos na China pode impactar também produção da vacina de Oxford pela Fiocruz.

Em resposta à reportagem, fundação garantiu que tem insumos até a primeira semana de junho, sem citar datas. E disse que aguarda informações da AstraZeneca para confirmar chegada da próxima remessa de IFA. 

Sobre a possibilidade de atraso, o Ministério das Relações Exteriores manifestou-se por meio da seguinte nota: “Brasil e China dialogam e trabalham constantemente no enfrentamento da crise sanitária. A Embaixada do Brasil em Pequim acompanha permanentemente o processo de autorização de exportação de IFAs, atuando sempre com a agilidade necessária. Em diversas ocasiões, inclusive durante recente conversa telefônica do Ministro das Relações Exteriores, Carlos França, com o Ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, autoridades chinesas comprometeram-se em fazer todo o possível para cooperar com o Brasil neste momento de grave emergência sanitária causada pela pandemia de COVID-19 e reiteraram que eventuais atrasos não são intencionais, dado que a China está exportando IFAs para diversos países, o que gera expressiva demanda e sobrecarga nos trâmites burocráticos.”

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