Brasil é medalha de ouro no combate ao tabagismo, diz cardiologista

À CNN, Jaqueline Scholz, no entanto, fez um alerta sobre produtos como o cigarro eletrônico, que chamam a atenção dos jovens

Foto: Getty Images (seksan Mongkhonkhamsao)

Amanda Garcia, da CNN Rádio

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O Brasil é “medalha de ouro” no combate ao tabagismo, segundo a avaliação da cardiologista e coordenadora do Programa de Tratamento do Tabagismo do Hospital das Clínicas, em entrevista à CNN Rádio nesta terça-feira (27).

“Temos a honra de reduzir expressivamente o número de fumantes, temos essa conquista em saúde pública, imagina o Sistema Único de Saúde (SUS) com a demanda de fumantes da década de 90, agora na pandemia podia ser pior, porque o tabagismo agrava a Covid-19”, explicou.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou avanço no combate ao tabagismo – com 5,3 bilhões de pessoas cobertas por medidas de controle do tabaco, número quatro vezes maior do que o 1 bilhão que estava coberto em 2007.

Apesar disso, novos produtos causam preocupação. A cardiologista cita os cigarros eletrônicos como um fator que pode reverter o quadro positivo. “A gente enfrenta novos desafios, é uma preocupação mundial, ainda estamos protegidos, porque a Anvisa proibiu a comercialização desde 2010”, ponderou.

Jaqueline Scholz disse que a indústria dos cigarros eletrônicos se usa da publicidade para atingir os jovens, mas que os danos são os mesmos: “O cigarro eletrônico é péssimo para doenças cardiovasculares, hoje não tem diferença em risco de infarto e AVC ao fumar um cigarro convencional ou eletrônico”.

A cardiologista fez um apelo contra a nova modalidade de fumo: “As autoridades brasileiras têm que fazer um cerco, a sociedade tem que impor hábitos saudáveis, escolas têm que abordar o que acontece com o cérebro, como fica a vida inteira tentando se desvencilhar, isso é fundamental, sociedade tem que discutir o tema”.

Políticas públicas como a contrapropaganda nos maços de cigarro, lei antifumo, aumento do preço do produto, de acordo com Jaqueline, causaram “redução expressiva no número de fumantes.”“A Anvisa tem que bater nessa tecla de que não queremos os cigarros eletrônicos, não queremos regredir”, completou.

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