Brasil receberá 1 milhão de doses de vacina de consórcio até sábado, diz Fiocruz

Segundo Nísia Trindade, doses da vacina de Oxford serão entregues pelo Covax Facility ao país até o próximo sábado (20)

Noeli Menezes, da CNN, em Brasília

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A presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Nísia Trindade, afirmou nesta terça-feira (16) que o Brasil deve receber as primeiras doses da vacina contra a Covid-19 do consórcio Covax Facility na sexta-feira (19) ou no sábado (20). 

Nísia disse, durante audiência na Comissão Externa da Câmara que acompanha ações contra a Covid-19, que “agora em março vamos receber um primeiro carregamento de 1 milhão de doses, entre os dias 19 e 20. E o segundo [carregamento] de 1,9 milhão até o fim de março. Então, até abril, nós teremos quase 3 milhões de doses da vacina de Oxford pela iniciativa”. 

A presidente da Fiocruz ponderou que é o Ministério da Saúde que está à frente dessa operação, e não a fundação, e que a Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) é a interlocutora do governo brasileiro no exterior. 

Na segunda-feira (15), o ministro Eduardo Pazuello disse em entrevista que as doses do consórcio estavam com carregamento garantido, mas não deu uma data. 

Pelo acordo com o Covax Facility, aliança global liderada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para impulsionar o desenvolvimento e a distribuição de vacinas contra o novo coronavírus, o Brasil tem direito a 42 milhões de doses de imunizantes, que devem ser entregues até o final do ano, segundo Pazuello.

A presidente da Fiocruz, Nísia Trindade (17.mar.2021)
A presidente da Fiocruz, Nísia Trindade (17.mar.2021)
Foto: Reprodução/CNN

 

Produção própria

Em entrevista à CNN na quarta-feira (17), Nísia falou sobre a produção com Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) nacional. “Esse processo é um pouco mais demorado, iniciaremos a produção entre abril e maio, mas temos que ter a certificação da Anvisa. Nossa expectativa é entregar vacinas produzidas com IFA nacional a partir de setembro. Enquanto isso continuamos nossa produção com o IFA vindo da China.

Enfermeira prepara dose da vacina de Oxford/AstraZeneca em Manaus
Enfermeira prepara dose da vacina de Oxford/AstraZeneca em Manaus
Foto: Sandro Pereira/Fotoarena/Estadão Conteúdo

 

Efeitos adversos

Nísia comentou a suspensão temporária, por alguns países europeus, da aplicação da vacina de Oxford. “É importante dizer que faz parte da cautela essa avaliação de todas as vacinas. Nós da Fiocruz temos esse tipo de precaução com fármacos”, afirmou.

Ela ressaltou, porém, que “tanto a EMA (Agência Europeia de Medicamentos) quanto a OMS não recomendaram a interrupção da vacinação”. Mas admitiu que as decisões dos países “são cautelas que têm que ser observadas e respeitadas. Hoje mesmo deve sair um comunicado da EMA e da OMS sobre isso”.

A presidente da Fiocruz disse ainda que já foram mais de 17 milhões de pessoas vacinadas na União Europeia e no Reino Unido, e os relatos desses eventos adversos nesse grupo são menores do que na população em geral.

Mais 7 milhões de doses da Coronavac

Cristiano Gonçalves, gerente de inovação do Instituto Butantan, afirmou aos deputados que até sexta-feira (19) será cumprida a meta de liberação de 7 milhões de doses da Coronavac e, até o final de março, “completaremos o cronograma de 23 milhões de doses”. 

Gonçalves disse que, para abril, são previstos 14 milhões de doses envasadas pelo Butantan. “A liberação desse lote com a matéria-prima já está acertada com a China. Tivemos uma reunião ontem (15) com a Sinovac, e a empresa está bastante colaborativa e vai adotar uma postura humanitária, pois a farmacêutica e a China estão solidários à situação do Brasil.”

Eficácia das vacinas contra as variantes

Tanto a Fiocruz quanto o Butantan afirmaram à comissão que os estudos com as vacinas têm demonstrado resultado contra as variantes do novo coronavírus detectadas no Brasil e no Reino Unido. 

No entanto, Gustavo Mendes Lima Santos, gerente-geral de Medicamento e Produtos Biológicos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ponderou que, até o momento, a agência não chancelou nenhum desses estudos, pois não os recebeu para avaliação.

“Nós questionamos todos os fabricantes sobre a eficácia das vacinas sobre as variantes. Alguns estudos foram propostos, mas ainda não recebemos resultados. Nós vemos muitas alegações na mídia dizendo que uma vacina é eficaz contra a variante P1. Só que esses resultados precisam ser chancelados por publicações cientificas e pela agência reguladora para que constem em bula. Nenhuma das vacinas traz essa informação em bula ainda”, declarou.

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