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    Câncer: estudo sugere ampliar intervalo entre colonoscopias para 15 anos

    Pesquisadores acreditam que um intervalo maior entre os exames de rastreamento para o câncer colorretal poderia "evitar exames invasivos desnecessários" sem aumentar o risco de desenvolver o tumor neste período

    Colonoscopia é um dos exames que ajudam a detectar câncer de intestino precocemente
    Colonoscopia é um dos exames que ajudam a detectar câncer de intestino precocemente lechatnoir/Getty Images

    Gabriela Maraccinida CNN

    Um novo estudo sugere ampliar o intervalo entre colonoscopias — exame importante para o rastreamento do câncer colorretal — de 10 para 15 anos. O artigo, realizado por pesquisadores da área de saúde de diferentes países, foi publicado na revista científica JAMA Network Open no último dia 2.

    A colonoscopia é um exame de cólon (intestino grosso) e do íleo terminal (porção final do intestino delgado) que permite a observação de detalhes da superfície da mucosa intestinal. O procedimento é importante para detectar precocemente o câncer colorretal, aumentando as chances de sucesso no tratamento.

    Atualmente, a recomendação das entidades médicas é de que o exame seja repetido a cada 10 anos após um resultado negativo para o tumor. No entanto, novas evidências estão sugerindo que o rastreamento pode ser feito com um período maior de intervalo.

    Em 2023, por exemplo, um estudo já tinha indicado que a detecção precoce de câncer colorretal avançado até 10 anos após uma colonoscopia negativa é raro e que o intervalo entre os exames poderia ser ampliado. Na ocasião, pesquisadores encontraram uma baixa prevalência sustentada de câncer colorretal avançado de aproximadamente 6% a 7% em homens e de 4% a 5% em mulheres, mesmo mais de dez anos após uma colonoscopia negativa.

    Como o estudo atual foi feito?

    Para o novo estudo, os pesquisadores avaliaram 110.074 adultos suecos sem histórico familiar de câncer colorretal e que tiveram resultados negativos na primeira colonoscopia de rastreamento, realizada entre 1990 e 2016. A maioria dos participantes era mulher e a idade média era de 59 anos.

    O objetivo dos pesquisadores era comparar os resultados do câncer colorretal entre indivíduos sem histórico familiar da doença (e que receberam uma colonoscopia inicial negativa) e indivíduos que nunca fizeram o exame antes (grupo controle). Esse segundo conjunto era formado por quase 2 milhões de indivíduos.

    Os pesquisadores analisaram a taxa de incidência padronizada em 10 anos e a taxa de mortalidade padronizada em 10 anos. De acordo com o estudo, o grupo que recebeu as primeiras colonoscopias negativas tinha um risco menor de desenvolver câncer colorretal e morrer em decorrência do tumor durante o período de 15 anos.

    Diante disso, os autores do estudo concluem que o intervalo de 10 anos entre os exames de colonoscopia para indivíduos com um primeiro resultado negativo para câncer colorretal poderia ser estendido para 15 anos. Na visão dos pesquisadores, “um intervalo mais longo entre os exames de colonoscopia pode ser benéfico para evitar exames invasivos desnecessários”.

    Resultados do estudo podem não ser generalizáveis

    Apesar dos resultados, os autores do estudo assumem que há limitações que devem ser consideradas. Por exemplo, de acordo com os pesquisadores, a maioria dos participantes analisados eram brancos e suecos, o que sugere que os resultados obtidos podem não ser generalizáveis para todas as populações.

    A SBCO (Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica) segue indicando que a colonoscopia seja realizada a cada 10 anos por pessoas a partir dos 45 anos, mesmo entre aqueles sem histórico familiar do câncer e que tiveram resultados negativos no primeiro exame.

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