Casca de romã pode ajudar a combater feridas na pele, diz estudo

Material apresentou ação antimicrobiana contra patógeno de difícil tratamento, indica investigação de pesquisadores da Unicamp

Thais Szegö, da Agência Fapesp
Extrato da casca da romã apresentou ação antimicrobiana contra patógeno de difícil tratamento
Extrato da casca da romã apresentou ação antimicrobiana contra patógeno de difícil tratamento  • Getty Images
Compartilhar matéria

Pesquisa realizada pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) comprovou a ação de extrato obtido da casca de romã contra microrganismos causadores de feridas na pele. A substância conseguiu inibir a ação de bactérias comuns, como a Staphylococcus aureus, e da Pseudomonas aeruginosa, um patógeno conhecido por sua alta resistência, e consequentemente, difícil tratamento.

O trabalho, que teve o apoio da Fapesp (processos 23/12621-1, 22/10469-5, 21/12264-9, 19/13496-0, 18/14582-5 e 23/03439-5) e foi coordenado pelo pesquisador Mauricio Ariel Rostagno, foi dividido em quatro partes.

O primeiro passo foi testar a atividade antimicrobiana dos extratos de 11 tipos de resíduos da indústria alimentar — cascas de laranja, manga, maçã, uva, limão e romã; folhas de manga e goiaba; sementes de melão; casca e borra de café — contra microrganismos comuns em infecções de feridas cutâneas.

A casca de romã foi selecionada como o material mais promissor por apresentar a maior atividade antimicrobiana e o maior teor de compostos fenólicos, potentes antioxidantes. Então, ela foi submetida a uma ferramenta de simulação computacional para selecionar solventes verdes, ou seja, ecologicamente corretos — acetona e álcool isopropílico diluídos em água, por exemplo —, que fossem mais eficientes para extrair o ácido elágico, seu principal composto que tem grande potencial antimicrobiano.

“Por fim, fizemos uma validação laboratorial para produzir novos extratos com esses solventes otimizados e testamos sua atividade antimicrobiana novamente em laboratório para confirmar se a eficácia contra os microrganismos havia, de fato, aumentado”, conta a engenheira de alimentos Thais Carvalho Brito Oliveira, pós-doutoranda na FCA (Faculdade de Ciências Aplicadas) da Unicamp, que liderou o trabalho.

De acordo com os pesquisadores, os resultados obtidos, publicados no Journal of Food Processing and Preservation, abrem espaço para uma ampla gama de pesquisas futuras que incluem a avaliação aprofundada das atividades antimicrobianas de compostos fenólicos puros e suas combinações para estudar efeitos sinérgicos, como a análise da citotoxicidade e a aplicação de extratos otimizados em curativos inteligentes.

Os resultados demonstram um grande potencial prático, mas o estudo ainda está em fase de pesquisa e desenvolvimento laboratorial. Posteriormente serão realizados ensaios in vivo.

O objetivo, segundo os pesquisadores, é obter um produto eficaz que seja uma alternativa natural aos antibióticos sintéticos, cujo uso indiscriminado tem gerado resistência bacteriana. Além disso, encontrar um destino melhor e mais rentável para os descartes da indústria alimentar, transformando-os em produtos de alto valor agregado para a saúde humana.