Dez benefícios do café para a saúde

Dose moderada diária da bebida pode melhorar o metabolismo, prevenir doenças e estimular a mente

Xícaras de café
Xícaras de café Foto: Luisa Gonzalez/Reuters

Lucas Rocha, da CNN, em São Paulo

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No dia do café, celebrado em 14 de abril, você pode encontrar alguns bons motivos para tomar aquela xícara quentinha da bebida que é preferência nacional. Alvo de inúmeros estudos científicos ao longo dos anos, o café pode trazer diversos benefícios para a saúde.

Um artigo de revisão publicado no periódico New England Journal of Medicine resume evidências sobre os diversos efeitos fisiológicos da cafeína e do café para o organismo. Segundo a pesquisa, o consumo moderado pode reduzir o risco de doenças crônicas, incluindo diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e certos tipos de câncer.

Em geral, a dose diária de cafeína recomendada para que a bebida tenha efeitos positivos no organismo é de até 400 miligramas, cerca de cinco xícaras pequenas. Leia mais enquanto prepara o seu cafezinho:

1. O café pode ajudar no emagrecimento

Alguns componentes do café, principalmente a cafeína, a teobromina, o ácido clorogênico e a teofilina ativam o sistema nervoso autônomo, o que provoca aumento na produção de adrenalina pelas glândulas suprarrenais. A adrenalina, por sua vez, aumenta a quebra de células de gordura e libera o que os ácidos graxos livres, que é a gordura estocada. O corpo utiliza então esses ácidos graxos livres como fonte de energia. Um estudo publicado na revista Scientific Reports, em 2019, mostrou que uma xícara de café pode ajudar a perder peso ao estimular a gordura marrom, que queima calorias para gerar calor corporal.

2. Melhora o desempenho físico

O café aumenta a performance na realização de exercícios físicos, segundo estudo publicado no International Journal of Sport Nutrition and Exercise Metabolism. Pesquisas realizadas com a participação de atletas mostraram que a ingestão de 3 miligramas de cafeína (por quilo de peso) uma hora antes de uma atividade ajuda bastante na performance. A ação no sistema nervoso central estimula a produção de endorfinas, trazendo mais prazer e sensação de bem-estar.

3. Alívio do estresse

O estresse crônico aumenta a produção de cortisol e altera circuitos de uma região do cérebro chamada hipocampo. Com isso, há uma piora no humor e na memória e um aumento da suscetibilidade à depressão. Compostos presentes no café, como a cafeína e o ácido clorogênico, melhoram o humor e contribuem para uma diminuição do nível de estresse, além de trazer benefícios para a memória e o raciocínio.

4. Faz bem para o cérebro

A cafeína é uma substância que bloqueia importantes receptores de adenosina no cérebro. Em outras palavras, o consumo do café tem uma correlação inversa com a depressão e a diminuição de memória. Estudos publicados em colaboração por pesquisadores do Brasil, Estados Unidos e Portugal, no periódico científico Proceedings of National Academy Sciences (PNAS), mostraram que a atividade da cafeína acaba melhorando a plasticidade das sinapses, conexões dos neurônios no cérebro, o que confere uma ação de neuroproteção. O estudo mostrou que os benefícios ao cérebro acontecem com doses moderadas, entre 100 e 400 miligramas de cafeína por dia (de 1 a 5 xícaras). Existe uma diminuição do risco de demência e de declínio cognitivo. Além da possibilidade de melhora de pessoas que já apresentam declínio cognitivo. Alguns estudos já mostraram que o café ajuda na prevenção da doença de Alzheimer e traz melhorias dos sintomas de pacientes com a doença de Parkinson.

5. Auxilia na digestão

Substâncias presentes no café, como os polifenóis e a cafeína aumentam o movimento do tubo digestivo, do sistema gastrointestinal. Esse mecanismo facilita a digestão. O consumo do café também aumenta a produção de um hormônio chamado gastrina, que ativa o cólon, parte do intestino grosso, quatro minutos depois de ser consumido, o que melhora o funcionamento do intestino em algumas pessoas.

6. Reduz dores de cabeça

Estudos mostram que a cafeína contribui para o alívio das dores de cabeça. A substância pode ser encontrada inclusive na formulação dos medicamentos frequentemente utilizados no combate às dores de cabeça.

7. Efeito antiinflamatório

O ácido clorogênico, componente da bebida, é um potente antioxidante que tem efeito antiinflamatório. Os antioxidantes combatem o excesso da produção dos radicais livres, que levam à inflamação e ao envelhecimento. Um estudo da Universidade de Stanford, dos Estados Unidos, publicado na revista Nature Medicine, mostrou que a cafeína pode ajudar a conter processos inflamatórios relacionados à idade.

8. Previne o câncer

Estudos revelam que o café ajuda a prevenir determinados tipos de câncer, como os que afetam a mama, a próstata, os ovários e o cólon. A quantidade relevante de antioxidantes, como o ácido clorogênico, além da cafeína, dos tocoferóis (vitamina E) e dos compostos fenólicos, protege as células dos danos provocados pelos radicais livres, diminui a inflamação do organismo, os danos ao DNA e, portanto, a incidência de câncer.

9. Ajuda a melhorar sintomas respiratórios

Estudos da Universidade do Porto, de Portugal, mostraram que pessoas que consomem café de forma moderada – de 50 a 300ml por dia (3 a 5 xícaras), têm 30% menos chance, em média, de desenvolver sintomas como a asma, quando comparados a indivíduos que não consomem a bebida. Além disso, a cafeína tem efeito broncodilatador (auxilia na respiração), reduz a fadiga dos músculos respiratórios e melhora a função pulmonar em até duas horas após o consumo. Outros estudos também sugerem a redução de sintomas e de manifestações clínicas da asma, desde que se consuma café moderadamente a longo prazo.

10. Efeito epigenético

O advento da medicina personalizada, que permite a realização do sequenciamento do genoma dos pacientes, tornou possível investigar os efeitos do consumo do café na expressão de vários genes. Entre eles, a ativação daqueles que podem melhorar a digestão, prevenir a inflamação e  proteger contra substâncias químicas nocivas.

 O que define a qualidade do café?

Até chegar à mesa do consumidor, o café passa por várias etapas, que incluem o plantio, a colheita e o processamento, que pode ser feito com diferentes técnicas. Os grãos podem ser moídos, torrados ou até mesmo fermentados.

A qualidade do café depende principalmente da relação entre as características genéticas da planta e os fatores relacionados ao ambiente, como local de cultivo, temperatura, nutrição da planta e irrigação. O condicionamento genético permite à planta expressar características de sabores e aromas diferenciados.

O fator tecnológico, que diz respeito ao processamento pós-colheita, tem impacto decisivo na qualidade do café, podendo alterar o sabor, seja pela forma de secagem, seja pela forma de processamento – como café descascado, natural ou fermentado, por exemplo.

Como armazenar o seu café?

O café é um produto sensível à luz e ao oxigênio. Para garantir as suas boas condições, é preciso ter atenção ao armazenamento em casa. 

Para durar mais tempo e preservar as características de origem, o café deve ser guardado em uma embalagem ou recipiente escuro, que não receba luz, e hermeticamente fechado, por conta do oxigênio. Ele deve ser armazenado longe de outros produtos, pois absorve cheiro de outros materiais, como temperos.

O café em grão torrado tem um período maior de aproveitamento em comparação ao café moído. É importante respeitar o prazo de validade do produto – a partir de 4 a 6 meses ele começa a perder as características iniciais do momento em que foi embalado.

Alta no consumo

Segundo a Associação Brasileira da Indústria do Café (ABIC), o consumo interno de café no país registrou crescimento em 2020: foram 21,2 milhões de sacas entre novembro de 2019 e outubro de 2020, o que representa uma alta de 1,34% em relação ao período anterior, que considerou dados de novembro de 2018 a outubro de 2019. Os números coletados pela ABIC revelam ainda que, no ano passado, o Brasil manteve a posição de segundo maior consumidor de café do mundo.

Fontes: Filippo Pedrinola, médico endocrinologista; Gerson Silva Giomo, pesquisador do Instituto Agronômico (IAC), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo; Associação Brasileira da Indústria do Café (ABIC).

 

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