Caso da variante Mu no Rio de Janeiro ocorreu em homem infectado no México

Secretaria Municipal de Saúde informou que não há transmissão comunitária da linhagem na capital do estado

Pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) realizam o diagnóstico do novo coronavírus
Pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) realizam o diagnóstico do novo coronavírus Josué Damacena/IOC/Fiocruz

Iuri CorsiniStéfano Sallesda CNN

no Rio de Janeiro

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A Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro informou que o caso da variante Mu (B.1.621) na cidade, primeiro e único caso identificado da linhagem no estado, foi em um homem de 57 anos, morador de Campo Grande, bairro da Zona Oeste da capital. Ele foi infectado pelo vírus quando estava em viagem no México. Portanto, diz a pasta, “não há transmissão comunitária da VOI (variante de interesse) Mu na cidade do Rio de Janeiro”.

Segundo a pasta, o homem teve uma síndrome gripal com sintomas leves de Covid-19 e para a cura sem complicações. Ao chegar ao Brasil, ele realizou isolamento domiciliar por mais de 14 dias.

Embora essa tenha sido a única amostra detectada da linhagem originária da Colômbia no Rio de Janeiro, a secretaria reforçou a necessidade de manutenção das medidas de contenção da pandemia.

“Independentemente da variante, ressalta-se a importância da aderência da população à imunização, assim como reforça-se que as medidas preventivas são as mesmas. A população deve manter o distanciamento, usar máscaras e higienizar as mãos com álcool 70 ou, quando possível, água e sabão; além das demais medidas de proteção à vida estabelecidas na Resolução Conjunta SES/SMS Nº 871 de 12/01/21”.

A descoberta da variante Mu no Rio, feita pela Rede Corona-Ômica, vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), ocorreu em uma amostra coletada em 28 de junho, na capital do estado. Esta linhagem foi identificada pela primeira vez em janeiro deste ano, na cidade colombiana de Letícia, na fronteira com o Brasil.

A primeira identificação da Mu em território brasileiro ocorreu em Cuiabá, durante a realização da Copa América, em 13 de junho, por análise realizada pelo Instituto Adolfo Lutz, de São Paulo. A capital do Mato Grosso foi uma das quatro sedes da competição e abrigou jogos na Arena Pantanal.

A Mu é considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) uma variante de interesse, e não de preocupação.

O fato de ser uma variante de interesse, de acordo com a OMS, está associado à identificação de uma mutação que pode ter maior potencial de resistência às vacinas. Porém, na ocasião, a entidade enfatizou que ainda eram necessários estudos complementares para confirmar esse indicativo.

“A variante MU tem uma constelação de mutações que indicam propriedades potenciais de escape imunológico. Dados preliminares apresentados ao Grupo de Trabalho de Evolução do Vírus mostram uma redução na capacidade de neutralização de soros de convalescentes e de vacinados semelhante à observada para a variante Beta, mas isso precisa ser confirmado por estudos adicionais”, disse o relatório na época da identificação desta variante.

Também de acordo com a OMS, até o início de setembro, a linhagem continuava a avançar na Colômbia e no Equador, onde já era responsável por cerca de 39% e 13% dos casos, respectivamente.

No Rio de Janeiro, é a Delta que segue avançando e causando preocupação. Atualmente, segundo a Rede Corona-Ômica, a linhagem originária da Índia responde por 95,44% dos casos fluminenses de Covid-19.

Os últimos genomas coletados compreendem o período de 9 a 30 de agosto. A Delta, atualmente, responde por 71,5% dos genomas sequenciados do coronavírus e já foi identificada em todos os 26 estados e no Distrito Federal.

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