Casos de gripe no RJ já são 738% maiores que os de Covid-19 nas últimas semanas

Especialistas já falam em epidemia na capital fluminense

Elis BarretoLucas Janoneda CNN

Rio de Janeiro

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O número de casos de gripe (Influenza) registrados na cidade do Rio de Janeiro nas últimas semanas é 738% maior que o número de casos de Covid-19, segundo dados da Prefeitura do Rio.

Só nas últimas semanas, segundo a secretaria municipal de saúde, foram notificados 23 mil de Influenza no município. Já entre 1 de novembro e 7 de dezembro, o painel da Covid-19 registrou 2.743 casos da doença.

Especialistas ouvidos pela CNN, nesta quarta-feira (8), acreditam que a cidade do Rio de Janeiro já vive um cenário de epidemia.

O infectologista Alberto Chebabo, Vice-presidente na Sociedade Brasileira de Infectologia e integrante do comitê científico da prefeitura, disse à CNN que o vírus Influenza A não circulava no Brasil desde o inverno de 2019 e que possivelmente foi trazido por algum turista ou brasileiro que tenha viajado para o exterior*, pois nesse momento o vírus da Influenza A circula no hemisfério norte.

Assim, essa seria a origem mais provável, segundo ele. Ele também considera que o Rio vive uma epidemia, com possibilidade de alastramento para o país.

À CNN, Marcelo Gomes, pesquisador da Fiocruz e coordenador do Boletim InfoGripe da instituição*, destacou que o vírus da Influenza A, já bastante disseminado na cidade do Rio de Janeiro, e como o Rio tem um fluxo muito grande de pessoas se deslocando, isso coloca todos os demais centros urbanos do país em uma situação de exposição muito

O especialista explicou que assim como a Covid, os sintomas da gripe podem levar alguns dias para surgirem os primeiros sinais. Então a chance de alguém viajar para outro lugar sem saber que está com o vírus é muito grande.

“Por isso, a chance é cada vez mais alta de haver o que chamo de importação de casos. Começa a ser uma questão de tempo até a Influenza começar a dar sinais em outros locais, especialmente se a gente se descuidar das medidas de proteção em relação à Covid. Porque elas também têm um papel muito importante em relação à gripe”.

O pesquisador também avalia que o vírus da Influenza praticamente sumiu no ano passado em decorrência das medidas de contenção da pandemia, que também impactaram na não disseminação da gripe. Porém, com o relaxamento das medidas de distanciamento e proteção individual, com a baixíssima taxa vacinal contra a gripe, o vírus está voltando com força total, diante deste “cenário ideal” para sua propagação.

Outro especialista que concorda com o cenário epidêmico no Rio de Janeiro foi o pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Diego Xavier.

“Durante a pandemia a gente não tinha essa exposição, e agora nós estamos tendo essa epidemia de gripe. Mas, pelo lado positivo, a maioria das contaminações não evoluem para casos graves”, explica Diego Xavier.

Para o infectologista da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Júlio Croda, o surto de gripe na cidade do Rio de Janeiro está diretamente relacionado com a baixa cobertura vacinal contra a Influenza. Segundo dados do Ministério da Saúde, a cobertura vacinal na capital fluminense é de 54,9%.

“O surto de Influenza que está acontecendo no Rio de Janeiro é fruto da flexibilização das medidas preventivas e as baixas coberturas vacinas. Note-se que que a cobertura para Covid-19 é extremamente elevada e, portanto, consegue proteger a população apesar das flexibilizações”, destacou Croda.

A CNN procurou a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) para repercutir a fala dos especialistas, mas ainda não obteve retorno.

Casos no estado

Em duas semanas, a média de casos de influenza no estado do Rio de Janeiro cresceu 2.647%, segundo os dados divulgados, nesta quarta-feira (8), pela Secretaria estadual de Saúde (SES).

A média de atendimentos de casos de síndrome gripal subiu de 173, na semana de 15 a 20 de novembro, aumentando para 435,6 na semana de 21 a 27 de novembro, até chegar em 4.752,7 contaminações por gripe entre os dias 04 e 06 de dezembro.

Entre as crianças, a média móvel dos atendimentos passou de 46,6 para 996, um aumento de 2.037%. Já entre os adultos, no mesmo período, o número saltou de 126,5 para 3.756 atendimentos por dia — crescimento de 2.869% na média móvel.

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