Cerca de 30 milhões de brasileiros aptos ainda não se vacinaram, diz Sbim

Levantamento da Sociedade Brasileira de Imunizações abrange crianças com mais de 12 anos e adultos

Douglas Lopes/Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)

Ludmila Candalda CNN

em São Paulo

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O Brasil ultrapassou a marca de 100 milhões de pessoas com imunização completa contra a Covid-19 entre vacinados de duas doses (Pfizer, AstraZeneca e Coronavac) e dose única (Janssen). Apesar disso, segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), Juarez Cunha, há um número expressivo de pessoas que já poderia ter completado seu esquema vacinal ou recebido a primeira dose, mas que ainda não foram aos postos de saúde.

“É claro que a gente tem que festejar estes quase 50% da população com a dose plena, com duas doses ou dose plena, e os 71% que já receberam a 1ª dose. Ao mesmo tempo, nos preocupa que, se nós temos 151 milhões de pessoas que receberam a 1ª dose, significa que temos cerca de 30 milhões de pessoas que poderiam ter se vacinado e ainda não se vacinaram”, ressaltou o executivo em entrevista à CNN.

Cunha detalha que estes indivíduos estão incluídos no público-alvo da campanha, ou seja, não fazem parte do número de crianças menores de 12 anos, que ainda aguarda a autorização de uma vacina contra a Covid-19 para as faixas etárias mais baixas. “Precisamos melhorar ainda mais nossas coberturas vacinais, lembrando que a proteção do indivíduo também impacta a proteção do coletivo”, defendeu.

O presidente da Sbim acredita, contudo, que o Brasil chegará a uma alta porcentagem de vacinados entre a população uma vez que, segundo ele, “o brasileiro acredita e confia nas vacinas”, disse Cunha. “Nós temos certeza que o Brasil será o país com os maiores níveis de cobertura vacinal do mundo”, completou.

Atitudes como a do presidente Jair Bolsonaro, que disse que não vai se vacinar, colaboram para essa dispersão, mas os efeitos do discurso negacionista tem sido apenas relativo. “Apesar de alguns recados, inclusive dos governantes, serem ao contrário, o brasileiro está aderindo de forma bastante importante à vacinação”, diz o representante da instituição.

Bolsonaro diz que seu índice de IgG (proteínas do sistema imunológico) está alto por conta de já ter se infectado com a Covid-19. No entanto, Cunha explica que ainda não há na literatura um estudo que diga qual nível de IgG um indivíduo deve ter para ser considerado como isento do risco de reinfecção. “Ainda não temos resposta para dizer que a pessoa que tem um IgG de 900 está protegida.”

O presidente da Sbim afirma que a vacina e a proteção natural conferem diferentes tipos de imunidade, e que aqueles já vacinados têm chances menores de transmitir Covid-19 para os demais. “Então, é uma decisão muito egoísta não se vacinar. Você pode até ter algumas restrições e dúvidas, mas você está colocando os outros em risco”, diz.

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