Chance de trombose venosa cerebral é maior em quem já teve Covid-19

Estudo da Universidade de Oxford consideraram a incidência nas duas semanas após o diagnóstico do novo coronavírus

Pacientes no hospital da Restinga, no Rio Grande do Sul
Pacientes no hospital da Restinga, no Rio Grande do Sul Foto: Evandro Leal/Enquadrar/Estadão Conteúdo (19.mar.2021)

Camille Couto e Isabelle Resende, da CNN no Rio

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Apesar de raro, o risco de um paciente que já teve infecção provocada pela Covid-19 sofrer uma Trombose Venosa Cerebral (TVC) é muito mais comum do que em pessoas vacinadas, de acordo com estudo da Universidade de Oxford.

Os cientistas consideraram a incidência de trombose venosa cerebral e trombose da veia porta (que leva sangue dos intestinos para o fígado) nas duas semanas após o diagnóstico da Covid-19. O estudo foi feito com dados de  513.284 pacientes, a maioria dos Estados Unidos. 

Entre os registros, 20 pessoas apresentaram trombose venosa cerebral, uma incidência de 39 casos por milhão de pessoas. A taxa é cerca de dez vezes maior do que a observada entre as pessoas que receberam as vacinas da Pfizer ou da Moderna (4,1 em um milhão) e oito vezes maior do que a observada entre os imunizados com a vacina de Oxford/AstraZeneca (5 por milhão). 

Outros 224 pacientes tiveram trombose da veia porta após duas semanas do diagnóstico de Covid-19, taxa de 436,4 casos por milhão. Esse índice é 9,5 vezes maior do que o observado entre aqueles que receberam as vacinas da Pfizer e da Moderna (44,9 por milhão) e 272 vezes superior ao relatado por pessoas vacinadas com o imunizante de Oxford/AstraZeneca (1,6 por milhão). 

Na população em geral, a taxa de incidência de trombose cerebral em qualquer período de duas semanas é de 0,77 por milhão, enquanto a de trombose da veia porta é de 4,1 por milhão. 

Nas últimas semanas, casos de coagulação sanguínea relacionados às vacinas contra a Covid-19 surgiram em diversos países. Os primeiros estavam ligados ao imunizante de Oxford/AstraZeneca e mais recentemente surgiram casos vinculados às vacinas da Pfizer, da Moderna e da Janssen – que ainda estão em investigação. 

Depois de várias análises, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla em inglês) confirmou a relação dos casos com o imunizante de Oxford, dizendo que esse efeito colateral é muito raro. A agência e a Organização Mundial de Saúde (OMS) destacaram que o benefício da vacina é superior ao risco que o imunizante oferece.

O estudo foi coordenado pelo professor Paul Harrison e Dr. Maxime Taquet do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Oxford e do NIHR Oxford Health Biomedical Research Center.

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