Cirurgias e tratamentos de câncer no RJ caem 25% na pandemia, aponta Defensoria 

Estudo mostra também um grande percentual de afastamento de profissionais no período 

Leito do Inca (Instituto Nacional do Câncer) no Rio de Janeiro
Leito do Inca (Instituto Nacional do Câncer) no Rio de Janeiro Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil (1º.out.2018)

Lucas Janone, da CNN, no Rio de Janeiro 

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As cirurgias oncológicas e os tratamentos de câncer no estado do Rio de Janeiro tiveram uma redução de 25% desde o início da pandemia do novo coronavírus. Os dados são da pesquisa “Assistência Oncológica do RJ durante a Covid-19”, realizada pela Coordenadoria de Saúde e Tutela Coletiva da Defensoria Pública do Rio em parceria com Instituto de Estudos de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).  

De acordo com o levantamento, o número de consultas ambulatoriais para pacientes com câncer também teve uma queda durante a pandemia – redução de 21,9%, em comparação com momentos que antecederam o coronavírus.  

A pesquisa também relata que 20,4% dos profissionais de saúde do setor foram afastados durante a pandemia, sendo 14,6% de médicos, 15,5% de enfermeiros, 22,7% de técnicos de enfermagem e 12,5% de auxiliares de enfermagem. À CNN, a subcoordenadora de Saúde e Tutela Coletiva, Alessandra Nascimento corroborou as informações.   

“Foi relatado, sim, um número muito grande de afastamentos de profissionais de saúde destinados ao tratamento de pacientes com câncer. O movimento aconteceu em diversas unidades de tratamento no estado. Além disso, teve o desabastecimento de medicamentos, em especial os analgésicos e anestésicos”, explicou.  

O desabastecimento mencionado por Alessandra Nascimento também foi um tópico abordado pela pesquisa. Segundo o levantamento, a escassez de Docetaxel, droga utilizada para o tratamento do câncer de mama, foi observada em quatro unidades – 26,6% das unidades destinadas aos procedimentos oncológicos. Já os analgésicos e anestésicos faltaram em 6,7% dos postos de saúde.   

O diretor executivo da Fundação do Câncer, Luiz Augusto Maltoni, esclareceu para a CNN, nesta segunda-feira (16) que o número de tratamentos teve uma redução também em função do medo das pessoas saírem de casa. “Quem tem câncer têm uma imunidade menordo que as pessoas saudáveis, claro, e por isso elas ficam com medo de sair de casa, mesmo que seja para ir fazer o tratamento”, disse.  

Para chegar aos resultados, os pesquisadores fizeram um questionário, enviado às unidades da rede de alta complexidade em oncologia do Sistema Único de Saúde (SUS) no Estado do Rio de Janeiro. Todos os dados da pesquisa fazem comparação entre o trimestre anterior à pandemia e ao primeiro trimestre de pandemia – nos meses março, abril e maio de 2020. 

A Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro (SES) afirmou que o estado fica responsável apenas pela “regulação para consulta de primeira vez no ambulatório cirúrgico de pacientes dos serviços de oncologia na capital fluminense”. E disse que os procedimentos cirúrgicos são de responsabilidade do governo federal.

Procurado pela reportagem da CNN, o Ministério da Saúde não respondeu.

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