#CNNpelaVacina: Veja as respostas para as dúvidas mais frequentes

Especialistas responderam às principais dúvidas sobre imunização

Maratona da CNN pela vacina
Maratona da CNN pela vacina Foto: CNN Brasil

Luana Franzão*, da CNN, em São Paulo

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Em um especial comandado por Daniela Lima e Márcio Gomes, a CNN recebeu nesta terça-feira (26) as principais dúvidas do público sobre as vacinas contra a Covid-19. A live foi transmitida no canal do YouTube da CNN e está disponível para ser assistida.

Os médicos Rosana Ritchmann, infectologista do Instituto Emílio Ribas, Fernando Gomes, neurocirurgião e neurocientista que participa do quadro Correspondente Médico da CNN, e Ludmilla Hajjar, professora de cardiologia da USP (Universidade de São Paulo), responderam às perguntas enviadas pelos espectadores e esclareceram dúvidas sobre a Covid-19 e as vacinas.

Confira alguns dos principais tópicos abordados:

Eficácia das vacinas

Muitos espectadores fizeram perguntas relacionadas à eficácia de vacinas como a Coronavac, e se valeria a pena esperar a chegada de vacinas como as da Pfizer/BioNTech, com porcentagens de eficácia global mais altas inicialmente,.

Fernando Gomes esclareceu que a melhor opção neste momento é vacinar-se o quanto antes possível, com as vacinas já disponíveis no país. Ele explica que a Coronavac protege totalmente contra formas mais graves da doença, o que já representa uma queda de risco muito grande e um alívio significativo do sistema de saúde. A pessoa vacinada com o imunizante, segundo os resultados científicos, deve desenvolver apenas sintomas leves. 

Segundo ele, o mais importante no momento é diminuir o ritmo e, principalmente, a letalidade da pandemia, resultado que é atingido com ambas as vacinas a que o Brasil tem acesso: Coronavac e a da parceria entre a AstraZeneca e a Universidade de Oxford.

Periodicidade da vacinação

Os três especialistas afirmam que ainda não é possível saber quanto tempo dura a imunização pela vacina, e que os cientistas estão em busca desta resposta.

Estamos passando agora pela fase 4 das vacinas. Ou seja, a vacina na vida real. Nós vamos ver a efetividade — se ela de fato vai proteger e por quanto tempo vai proteger. O fato de termos a vacina disponível não significa que a ciência acabou, muito pelo contrário, vamos acompanhar quem foi vacinado e entender o que vai acontecer nos próximos meses e anos em relação à proteção.

Rosana Ritchmann

Eles explicam que há a possibilidade de haver necessidade de reaplicar a vacina periodicamente, assim como a vacina da gripe, que é aplicada anualmente.

Médica diz que desafio será superar desinformação das vacinas contra o coronavír
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Foto: Marcos Maluf/Pera Photo Press/Estadão Conteúdo

Eficácia em relação às novas cepas do vírus

Fernando Gomes esclarece que há uma preocupação da comunidade científica em relação à eficácia da vacina contra novas cepas do coronavírus, como as vistas no Reino Unido, África do Sul e no próprio Brasil. A maior inquietação se dá com a possibilidade de o vírus mudar demais, a ponto de o organismo não reconhecê-lo e não ser capaz de produzir uma defesa.

Entretanto, as cepas que surgiram até o momento não levantaram essa apreensão.

Até agora, o que temos em dados científicos, é que as novas cepas não se mostraram 100% resistentes ou deixando as vacinas ineficientes. Mas a todo momento isso é estudado

Fernando Gomes

Doses de fabricantes diferentes

O público também manifestou dúvidas sobre os riscos de tomar cada dose da vacina de um fabricante diferente — por exemplo, a primeira dose da Coronavac e a segunda da vacina de Oxford.

Ritchmann e Gomes destacam que não deve haver grandes prejuízos caso este procedimento aconteça, mas que os testes feitos até o momento somente dizem respeito ao uso específico das duas doses da mesma vacina, e por isso os impactos de misturar os fabricantes são desconhecidos. Portanto, até o momento, a indicação é manter à uma mesma vacina em ambas as doses.

Ritchmann pondera, entretanto, que caso haja escassez de de determinada vacina é mais prudente administrar doses de diferentes fabricantes do que deixar de vacinar. 

Reações alérgicas

Enfermeira prepara aplicação da vacina da Coronavac em São Paulo
Enfermeira prepara aplicação da vacina da Coronavac em São Paulo
Foto: Danilo M. Yoshioka/Futura Press/Estadão Conteúdo

Outra preocupação está relacionada à possibilidade de reações alérgicas graves às vacinas.

Rosana Ritchmann destaca que nenhuma das vacinas sendo aplicadas no Brasil causaram reações alérgicas de qualquer tipo. Ela destaca também que pessoas afetadas por alergias relativamente comuns (como a alimentos, poeira ou picadas de inseto) não devem se preocupar.

Entretanto, para quadros mais graves, de alergia intensa, o profissional de saúde deve ser consultado.

“O que é importante é que, caso você seja alérgico a ponto de ter de usar uma ampola de adrenalina na sua bolsa — como pouquíssimos casos da Pfizer e da Oxford — ou seja, você é muito alérgico, você deve avisar o profissional na hora da vacinação que existe esse componente de alergia. Dessa forma, você vai ser observado por mais tempo depois da vacinação”, disse.

Ela também lembrou que a maioria das vacinações contra a Covid-19 neste momento estão ocorrendo em ambientes hospitalares ou muito próximos a algum, o que facilita a observação e um potencial socorro, que não foi necessário até agora.

Situações especiais

Os profissionais também foram questionados sobre qual deve ser a conduta de pessoas fragilizadas com outras enfermidades, como pacientes de câncer, cardiopatas ou transplantados. 

Os três especialistas destacam que, em geral, tomar a vacina representa um risco muito menor à saúde do que ser infectado pela Covid-19. Estes grupos são considerados de risco para a doença e a imunização contra ela é considerada uma aliada.

Rosana Ritchmann lembra que pessoas em tratamento de câncer ou de doenças autoimunes podem ter momentos de deficiência do sistema imunológico, produzindo menos anticorpos. Nesses casos, a vacinação é indicada, mas é recomendado que se converse com um médico para decidir o melhor momento, de forma que a vacina provoque uma melhor performance da imunidade.

Covid-19 e as crianças

A vacinação de crianças contra a Covid-19 ainda não é uma prioridade, e por isso não foram realizados testes da vacina neste grupo. 

Fernando Gomes acredita que em um segundo momento as atenções podem ser voltadas a imunizá-las. Seria importante garantir a imunidade na infância pois, apesar de não adoecerem, as crianças podem transmitir a doença para adultos e idosos.

Felizmente, sabemos que as crianças são poupadas de formas graves da doença, não em 100% das vezes, mas em uma imensa maioria absoluta. O foco da vacina é a população dos adultos por conta da gravidade, por conta da transmissibilidade e por causa de todas as formas que resultam em morte. A questão das crianças é não torná-las vetores da doença, levando para os adultos e idosos

Ludmilla Hajjar

 

Volta às aulas

Criança de máscara
Uso de máscaras por crianças é tão importante quanto em adultos
Foto: Today’s Parent

Fernando Gomes explica que as crianças são um vetor importante de Covid-19, e ao ter contato com outras crianças nas escolas ou outros adultos, podem levar a doença para casa e infectar os responsáveis. Dessa forma, a escola à distância é uma forma de evitar o contágio, visto que, teoricamente, não haveria contato com outras pessoas.

Entretanto, a educação possui compenentes culturais e cognitivos que podem ser seriamente prejudicados pela educação exclusivamente online. Para levar a educação novamente à forma presencial, devem ser levadas em consideração as medidas de segurança contra o contágio: uso de máscaras, distanciamento social e higienização das mãos, mesmo entre as crianças.

Uma opção seria um modo híbrido: o revezamento de classes no presencial em alguns dias da semana, e o restante permanece online, pelo menos enquanto a vacinação nos adultos não for ampla.

Assita à live na íntegra abaixo:

*Sob supervisão de Leonardo Lellis

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