Cobertura vacinal para crianças cai 9,5% entre 2018 e 2020

Vacinas como a da BCG e contra Hepatite B em crianças de até 30 dias de vida, tiveram queda de 25% na aplicação

Vacinas importantes, como a da BCG que protege contra a tuberculose, e a de Hepatite B em crianças com até 30 dias de vida, tiveram queda de 25% na aplicação.
Vacinas importantes, como a da BCG que protege contra a tuberculose, e a de Hepatite B em crianças com até 30 dias de vida, tiveram queda de 25% na aplicação. Getty Images/Ivan Pantic

Alessandra Ferreirada CNN

São Paulo

Ouvir notícia

A cobertura vacinal para crianças caiu 9,5% entre 2018 e 2020, passando de 82,01% para 72,51% em três anos, de acordo com dados do DataSUS. Vacinas importantes, como a da BCG que protege contra a tuberculose, e a de Hepatite B em crianças com até 30 dias de vida, tiveram queda de 25% na aplicação. Dados preliminares sobre 2021 também estão abaixo da meta.

Alguns pais deixaram de seguir o calendário por receio de levarem os filhos aos postos de saúde por causa da pandemia da Covid-19. É o caso de Ester Lee, mãe de três filhos na faixa etária entre os 6 e 17 anos. Dois estão com o calendário atrasado: “O Arthur e Julie, que são os menores, estavam com a vacina em ordem até a pandemia chegar. Fiquei com receio de levá-los ao posto para tomar as vacinas. Eu prefiro aguardar mais um pouco e quando estiver mais tranquilo é que vou levar. Mas vai ser esse ano mesmo,” contou a mãe das crianças.

À CNN, a diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Mônica Levi, ressalta que a queda na procura por vacinas vem ocorrendo desde 2016. Para ela, um dos motivos é a falta da percepção de gravidade das doenças: “A vacina é vítima do próprio sucesso. Os pais de hoje, jovens, perderam a preocupação com a vacinação de doenças porque eles não estão vendo elas acontecerem, eles não estão sentindo seus filhos ameaçados. Isso acontece porque as gerações anteriores foram vacinadas e as doenças foram controladas ou erradicadas, como a rubéola congênita e o tétano neonatal”, afirma.

Levi reforça que o principal risco é o retorno de doenças que já estão erradicadas ou controladas. “O sarampo é um bom exemplo. A gente teve em 2016 o certificado de erradicação. O Brasil estava livre da circulação de sarampo e em menos de três anos depois perdemos essa certificação por conta de um surto de um ano sem conseguir controlar. Isso aconteceu porque temos baixa cobertura”.

O Amapá, por exemplo, enfrenta um surto de sarampo. De acordo com dados da Superintendência de Vigilância em Saúde do Estado, até 31 de julho, 424 casos da doença foram confirmados e 31 continuam em investigação.

Para Mônica Levi, a falta de conhecimento sobre algumas doenças fez com que as pessoas olhassem mais para os efeitos colaterais dos imunizantes que, de acordo com a especialista, são mais raros e menos danosos.

Segundo a médica, falta educação para inibir os chamados “hesitantes”. “[O hesitante] não é uma pessoa que é contra a vacina, é uma pessoa que vê nas mídias informações contraditórias e fica paralisada porque não sabe onde acreditar. Por isso ela precisa do convencimento através da educação e o Brasil precisa melhorar nessa comunicação da vacinação”.

De acordo com a diretora da SBIm, tanto o Ministério da Saúde quanto os serviços privados e as Unidades Básicas de Saúde têm protocolos de segurança para realizar a vacinação de modo seguro. Levi reforça que a imunização rotineira de crianças não pode atrasar e que os responsáveis precisam adequar o calendário vacinal das crianças o quanto antes.

Mais Recentes da CNN