Como funciona a liraglutida e qual a diferença para Ozempic e Mounjaro?
Anvisa aprovou dois medicamentos genéricos de liraglutida na última terça (8); princípio ativo já era usado em remédios da EMS

Dois medicamentos genéricos à base de liraglutida foram aprovados pela Anvisa na última semana e, apesar de serem utilizados no tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade, assim como a semaglutida e a tirzepatida (utilizados no Ozempic e no Mounjaro, respectivamente), há diferenças entre os princípios ativos que merecem atenção.
A primeira diferença está na aplicação dos medicamentos. Enquanto os remédios à base de semaglutida e tirzepatida demandam aplicação semanal, a liragutida tem menor tempo de ação e deve ser aplicada diariamente.
A liraglutida também possui menor potência de perda de peso quando comparada aos outros princípios ativos. A semaglutida possui potência intermediária, mas menor do que a tirzepatida, considerada a opção que proporciona a maior perda de peso média.
Outra diferença importante está no mecanismo de ação:
- Liraglutida e a semaglutida: são moléculas análogas ao GLP-1, hormônio que sinaliza ao cérebro que estamos alimentados, diminuindo o apetite, aumentando os níveis de insulina e equilibrando os níveis de açúcar no sangue.
- Tirzepatida: considerada uma molécula duplo agonista, atuando tanto nos receptores de GLP-1 quanto nos de GIP, o que impulsiona seus efeitos de controle glicêmico e redução de peso.
Entenda a liraglutida
A molécula é o princípio ativo dos medicamentos Olire e Lirux, da EMS, e de outros dois que já foram descontinuados, Saxenda e Victoza, da Novo Nordisk.
O tratamento com Olire é indicado para obesidade ou sobrepeso em pacientes com IMC acima de 27, desde que associado a alguma comorbidade, como diabetes tipo 2, hipertensão, dislipidemia (colesterol alto), risco cardiovascular, doenças renais ou coronárias.
Já o Lirux é indicado para o tratamento de adultos, adolescentes e crianças acima de 10 anos com diabetes tipo 2, quando dieta e exercício físico sozinhos não conseguem controlar a glicemia. Segundo estudos clínicos, o Olire possui eficácia média de 8% a 10% de perda de peso ao longo de seis meses a 1 ano.
Em abril deste ano, a Anvisa informou que havia cinco medicamentos à base de liraglutida registrados no país, de dois laboratórios, e sete pedidos de registro em análise.
Genéricos de liraglutida
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) publicou, nesta terça-feira (8), o registro de dois medicamentos genéricos à base de liraglutida.
Os produtos são fabricados pela farmacêutica EMS e correspondem aos medicamentos Olire e Lirux. Ambos têm 6 mg/mL de liraglutida, em solução injetável para aplicação subcutânea, e os registros têm validade até setembro de 2036.
Na decisão publicada no DOU (Diário Oficial da União), os medicamentos são classificados como “genérico – registro de medicamento – clone”.
Isso significa que os novos registros têm como referência os medicamentos que já haviam sido registrados pela própria EMS (Olire e Lirux).


