Como identificar a obesidade infantil? Dr. Kalil e especialistas explicam
Especialistas explicam como diferenciar um ganho de peso normal de um quadro de obesidade em crianças e promover hábitos saudáveis sem dietas restritivas ou culpa
Muitos pais se deparam com a dificuldade de identificar se o ganho de peso do filho é parte natural do crescimento ou um sinal de alerta para a obesidade infantil. Para ajudar a esclarecer essa dúvida, Claudia Cozer Kali, do Hospital Sírio-Libanês, e a nutricionista Thaís Cardeal Ramos compartilharam orientações práticas sobre o tema.
O assunto ganha relevância diante do crescimento dos índices de obesidade infantil ao redor do mundo. Segundo as especialistas entrevistadas pelo Dr. Roberto Kalil no CNN Sinais Vitais deste sábado (22), a avaliação do peso da criança deve considerar não apenas números isolados, mas também o contexto genético e familiar.
Claudia Cozer Kali apresentou uma forma simples para que os pais possam fazer uma primeira avaliação. "A criança tem que pesar menos que os centímetros da altura", explicou. Segundo ela, se uma criança mede 1,39 m, por exemplo, deve pesar menos de 39 quilos.
No entanto, a especialista fez uma ressalva importante: "Os 39 quilos, que é o máximo, já são considerados um sobrepeso. Ela tem que tentar ter menos", alertou.
Claudia destacou ainda que esse cálculo é apenas uma referência geral e que o contexto familiar precisa ser levado em conta.
"Existem famílias que têm uma estrutura [corporal] maior e dificilmente essa criança vai ser uma criança magrinha", afirmou. Segundo ela, há todo um contexto genético que deve ser considerado na avaliação.
Mudanças na alimentação
A nutricionista Thaís Cardeal Ramos abordou a preocupação com dietas restritivas que podem gerar uma relação negativa com a comida. Ela defendeu uma abordagem gradual e baseada em metas comportamentais.
"Não adianta você querer mudar de uma vez só os hábitos alimentares adquiridos ao longo da vida. Mas, com as crianças, é um facilitador, porque não são tantos anos assim", disse.
Entre as estratégias sugeridas por Thaís está o envolvimento das crianças no preparo dos alimentos. Segundo ela, trazer a criança para a cozinha, ensinando-a a manusear os ingredientes e a participar do processo, contribui para uma relação mais positiva com a alimentação.
"A dieta restritiva realmente não é o caminho", concluiu a nutricionista.
Envolvimento da família
Claudia complementou a fala de Thaís ressaltando que a dificuldade de combater a obesidade infantil é real e global. Ela apontou que, se o problema fosse simples de resolver, os índices de obesidade não estariam aumentando no mundo inteiro.
A especialista também chamou atenção para o papel da família no processo: "Não é só implementar para a criança, tem que implementar para a família", afirmou.
Claudia alertou ainda para os riscos do estigma associado ao peso. Segundo ela, rotular a criança como "gordinha" ou impor restrições alimentares de forma autoritária não funciona.



