Comunicação é fundamental para reverter queda na vacinação infantil, diz Kfouri

À CNN, o diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri, disse que o cenário “preocupa bastante”

Baixa adesão à vacinação infantil coloca em risco a saúde da população
Baixa adesão à vacinação infantil coloca em risco a saúde da população Pedro Amora/Prefeitura de Jundiaí

Amanda GarciaLarissa Coelhoda CNN

em São Paulo

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A queda na cobertura vacinal infantil no país é motivo de preocupação entre pesquisadores e médicos. O calendário de vacinação das crianças inclui a proteção contra doenças como a poliomielite, gripe, sarampo, caxumba e rubéola.

Em entrevista à CNN, o diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, explicou que este fenômeno começou antes da pandemia.

“A queda no número de crianças vacinadas vem acontecendo desde 2015, ano a ano assistimos a um decréscimo, nos dois anos de pandemia isso se acentuou e coloca em risco as conquistas da vacina, eliminamos rubéola, corremos risco de reintrodução, sarampo já voltou, a pólio já está até em Israel”, disse.

De acordo com levantamento da CNN Rádio, baseado em dados do Data SUS, a procura pela vacina BCG, que protege contra a tuberculose, teve baixa de mais de 30% entre 2019, antes da pandemia, e 2021.

A vacina contra a poliomielite teve cobertura vacinal de 87% em 2019, caiu para 76% em 2020 e para 67% em 2021. A primeira dose da tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, teve redução de mais de 20% na busca entre 2019 e 2021.

O Grupo Hermes Pardini de laboratórios particulares afirma que a procura por vacinas infantis caiu 66% em São Paulo de 2020 para 2021.

Para Kfouri, a comunicação é uma estratégia fundamental para reverter o quadro que ameaça a saúde da população. “Acho que o caminho da comunicação é fundamental para recuperar as baixas coberturas. É mais fácil convencer as pessoas antigamente do que esse cenário atual, onde as doenças desapareceram”.

Ameaça à saúde pública

Segundo o especialista, os altos índices de vacinação infantil no Brasil nas últimas décadas provocaram a redução significativa no número de casos. No entanto, as conquistas estão ameaçadas pela baixa procura pelas vacinas.

“A nova geração de pais nunca se deparou com alguém com essas doenças, profissionais da saúde nunca lidaram com elas, perdem essa percepção, recomendam de maneira menos enfática, se não aprendermos comunicação empática e sensível, no sentido de se mobilizarem, vamos ter dificuldade”, completou.

O diretor da SBIm afirmou, ainda, que há estudos que buscam identificar as diferentes causas para a baixa procura pelos imunizantes. Entre elas, estão “a falta de vacina, fake news, horários de funcionamento dos postos de saúde também já não atendem mais”, afirma.

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