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    Correspondente Médico: Como o cérebro reage em situações de confronto?

    Neurocirurgião Fernando Gomes esclareceu como uma tragédia, como a ocorrida no Líbano, pode gerar um comportamento agressivo e massa

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    Uma série de protestos violentos tem ocorrido em Beirute, no Líbano, após a explosão que matou dezenas e feriu cerca de 6 mil pessoas, além de deixar milhares de desabrigados na capital do país. 

    Na edição desta segunda-feira (10) do quadro Correspondente Médico, do Novo Dia, o neurocirurgião Fernando Gomes esclareceu como situações de confronto são recebidas pelo cérebro e falou sobre como a série de tragédias pode afetar a empatia.

    “Existe um estado de excitação máxima que acaba sendo necessário para a manutenção da vida dessas pessoas. É muito além da liberação de adrenalina, que deixa [o indivíduo] preparado para lutar ou fugir, temos um estímulo tônico e crônico de algo que chamamos de sistema reticular ativador ascendente, que é o responsável por deixar o córtex cerebral ligado”, explicou.

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    Segundo ele, trata-se de uma “estrutura complexa”, que “acende todo o nosso cérebro”. “Isso provoca um estado de alerta, de atenção a tudo o que está à sua volta e tentando preservar sua vida e a integridade de quem você gosta. É um estado de hiperexcitabilidade, que provoca sensação de êxtase e alerta contínuo”, acrescentou.

    Se no curto prazo, esse sentido pode garantir a sobrevivência, ele não é positivo caso seja prolongado. “A médio e longo prazos, isso não é bom, porque leva as pessoas a uma sensação de exaustão e estresse crônico, o que é prejudicial para a saúde mental e física”, informou.

    Por fim, o médico ainda explicou que a empatia pode ser afetada por tragédias como a ocorrida no Líbano. “Quando a pessoa julga que o problema dela é maior do que o da outra pessoa ou quando experimenta um desafio muito grande, que coloca a vida à prova, isso pode acontecer”, disse. 

    “Você pode ter momentos em que a empatia estaria presente e conseguiria se colocar no lugar da outra pessoa, o que é muito bom em termos de humanidade, mas pode ter essa habilidade reduzida, principalmente se, para ela, for mais importante a manutenção da própria capacidade psíquica. Por isso devemos entender a importância da saúde mental”, concluiu.

    (Edição: André Rigue)

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