Crise no Líbano: mais ministros renunciam em meio à revolta causada por explosão


Da CNN
10 de agosto de 2020 às 10:50 | Atualizado 10 de agosto de 2020 às 12:48

Mais políticos libaneses renunciaram nesta segunda-feira (10), em meio à crise causada pela explosão no porto de Beirute na semana passada, que matou mais de 160 pessoas. As suspeitas de negligência por parte do governo desencadearam protestos no país ao longo do fim de semana.

Nesta manhã, a ministra da Justiça, Marie Claude Najm, anunciou que apresentou sua carta de renúncia do cargo, citando a explosão na capital libanesa. 

O ministro das Finanças, Ghazi Wazni, importante negociador com o Fundo Monetário Internacional (FMI) de um plano de resgate para ajudar o Líbano a sair da crise financeira, também preparou uma carta de renúncia e a levou com ele hoje para uma reunião do gabinete, segundo fontes próximas e a imprensa local.

Além dos dois ministros, dois membros do Parlamento do Líbano, Henri Helou e Paula Yacoubyan, anunciaram sua renúncia, citando também a situação atual do país.

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Mais de duas toneladas de nitrato de amônio, um material altamente explosivo, estavam armazenados no porto de Beirute há mais de seis anos, sem as medidas de segurança adequadas. O presidente do Líbano, Michel Aoun, disse que considera como causa da explosão interferência externa, acidente ou negligência.

Com isso, a população, já enraivecida com a crise econômica do país, pressiona pela renúncia de todos os membros do governo.

O gabinete do governo, formado em janeiro com o apoio do poderoso grupo iraniano Hezbollah e seus aliados, se reúne nesta segunda com muitos ministros querendo renunciar, afirmaram fontes ministeriais e políticas.

No domingo, o ministro do Meio Ambiente, Damianos Kattar, e a ministra da Informação, Manal Abdel Samad, deixaram seus cargos. Um dia antes, o primeiro-ministro libanês, Hassan Diab, afirmou que iria propor antecipar as eleições parlamentares.

(Com Reuters)