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    Correspondente Médico: Medo da Covid-19 pode abalar o emocional das crianças?

    Apesar da pandemia, retomadas das aulas já estão previstas em alguns estados do Brasil

    Com o início do segundo semestre, a volta às aulas tornou-se o centro da discussão da pandemia de coronavírus no Brasil e no mundo. A ciência tem dito que é possível retornar, desde que com segurança. 

    Os educadores enumeram as perdas: prejuízos à aprendizagem, à convivência social e até o risco de danos graves à saúde mental e à nutrição dos alunos. Mas incertezas quanto ao enfrentamento da pandemia, à dificuldade de crianças cumprirem regras sanitárias e o número de infectados no País fazem pais e professores se sentirem inseguros para voltarem às escolas.

    Na edição desta quinta-feira (20) do quadro Correspondente Médico, do Novo Dia, o neurocirurgião Fernando Gomes analisou como o medo da Covid-19 pode impactar a vida das crianças e como o cérebro interpreta este momento de retomada, mesmo sem previsão para o fim da pandemia. “É um momento extremamente delicado, difícil e novo para a pedagogia e para as crianças”, iniciou. 

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    Quadro Correspondente Médico
    Correspondente Médico: Medo pode atrapalhar o desenvolvimento das crianças?
    Foto: Reprodução/CNN

    “Além de aprender conteúdo, a memória de procedimento vai ter que ser muito estimulada neste retorno às aulas”, disse. O médico explica que esta área é composta pela parte suplementar motora, gânglios da base e cerebelo. “Nesta região que se consegue resolver questões ligadas ao comportamento. Como por exemplo, a utilização de máscaras, higiene e distanciamento entre as pessoas, considerando a nova realidade”. 

    A memória de procedimento é essencial para o estímulo e o reforço de novos hábitos. “Ela é importante para estimular hábitos que não foram passados apenas explicando o que deve ser feito. Ela é responsável pela importância da vivência e segurança”, pontua. 

    O médico também avalia a situação dos professores e tutores das crianças. “Tudo que é organizado e existe rotina, fica mais fácil de ser gerenciado. Mas neste caso é totalmente diferente. Os professores serão essenciais para monitorar o cumprimento das regras de distanciamento. Estamos falando do futuro da nossa sociedade, por isso é algo extremamente desafiador”, disse.

    Fernando Gomes também alertou para a projeção da insegurança dos pais nas crianças. Este tipo de comportamento pode afetar diretamente o comportamento de um cérebro em desenvolvimento.

    “Durante o processo de ensino e aprendizagem, existem os ensinamentos sobre as emoções. Os pais e responsáveis são extremamente ligadas a este processo. Se você projeta e cria um ambiente de insegurança e potencializa os medos, isto pode prejudicar o desenvolvimento cerebral da criança. É preciso ter muita atenção nestes casos”, finalizou.

    (Edição: André Rigue)