Correspondente Médico: Quais os efeitos da fome na saúde e no comportamento?
Neurocirurgião Fernando Gomes fala sobre as necessidades do corpo humano
A insegurança alimentar atinge 84,5 milhões de brasileiros. É o que aponta dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em uma pesquisa feita entre 2017 e 2018. Isso significa que essas pessoas disseram que chegam a passar fome.
Na edição desta sexta-feira (18) do quadro Correspondente Médico, do Novo Dia, o neurocirurgião Fernando Gomes abordou o impacto da fome na saúde e no comportamento. O médico também alertou para as consequências da ausência de nutrientes no corpo humano.
"Para o nosso corpo físico funcionar, depois da respiração, é a alimentação e a água. Estes itens são necessários para você ter o básico. Se você tira estes elementos fundamentais, você gera sofrimento e compromete toda uma geração lá para frente. Pensando no coletivo em nosso país, este é um número que deve ser combatido", iniciou o médico.
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De acordo com o médico, a falta de nutrientes a longo prazo pode acarretar problemas graves à saúde e pode influenciar no comportamento do indivíduo perante a sociedade.
"Uma pessoa que cronicamente, no decorrer do tempo, tem esta privação de alimento adequado, ela pode entrar em quadros que seriam totalmente evitáveis e que são relacionados com a falta de vitamina", disse.
E acrescentou: "Falta de vitamina pode alterar o funcionamento do cérebro, do coração e do rim, por exemplo. É algo extremamente preocupante porque além da pessoa estar sofrendo, temos a questão de doenças que são passíveis de serem evitadas."
Nas crianças, a fome pode provocar impactos ainda mais sérios. De acordo com o médico, o desenvolvimento da criança fica comprometido com a ausência de nutrientes.
"Isso impacta na manifestação da inteligência daqui algum tempo. A pessoa pode desenvolver pouca eficiência dos neurônios, por exemplo. Neste caso, você pode até ter uma potencialidade genética muito grande, mas esta pessoa não tem esta oportunidade por conta desta questão", avaliou.
"Com esta crise, uma alternativa para isso [alimentar-se bem] seria a volta ao campo. Buscar alimentos que não sejam tão caro, mas que são nutritivos. Se a gente não inovar nesta forma de alimentação, podemos ter um problema muito grave lá na frente", finaliza.
(Edição: André Rigue)