Correspondente Médico: Versamune e Covaxin buscam voluntários para testes

Neurocirurgião Fernando Gomes explica como se dão os testes em humanos com medicamentos e vacinas

Raphael Florêncio, da CNN, em São Paulo

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Na edição desta quarta-feira (2) do quadro Correspondente Médico, do Novo Dia, o neurocirurgião Fernando Gomes explicou como funcionam os testes clínicos em seres humanos com as vacinas contra a Covid-19. A vacina brasileira, Versamune, desenvolvida pela Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) de Ribeirão Preto, e a Covaxin, imunizante da Índia buscam voluntários no Brasil.

Em relação à pesquisa brasileira, que ainda aguarda aprovação da Anvisa para realização dos testes em humanos, os estudos serão coordenados pelo HCor e já foi aberto um pré-cadastro de voluntários. Poderão participar pessoas acima de 18 anos que não tiveram Covid-19 e não foram vacinadas. 

“A Versamune tem como prerrogativa e desenvolvimento a subunidade S1 da proteína S — a spike que dá origem à coroa do novo coronavírus –, levando então um adjuvante, um carreador, para que o sistema imunológico, os linfócitos possam ter contato com este imunizante e produzir, então, anticorpos”, explica o neurocirurgião.

Segundo Gomes, os estudos de fase 1 e 2, que visam identificar segurança e eficácia, serão feitos com a observação de dois grupos: entre os que tomarão de fato o imunizante, e os que receberão apenas um placebo. As doses terão um intervalo de 28 dias.

Assim como a Versamune, a Covaxin, desenvolvida pela Bharat Biotech também está com inscrição aberta para testes de fase 2. O imunizante já recebeu autorização para uso emergencial na Índia e comprovou eficácia de 70% contra o novo coronavírus.

Moradores de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Mato Grosso poderão participar. A faixa etária aceita pelo experimento é de 18 a 50 anos, sendo que os indivíduos não podem ter tido Covid-19 nem morado com alguém que testou positivo para a doença. A coordenação dos estudos e o pré-cadastro são feitos pelo IGESP.

Os voluntários que tomarem placebo receberão, ao final, depois de aprovado pela Anvisa, a dose da vacina. Gomes ainda explica ser comum que estudos com medicamentos possam se mostrar efetivos antes mesmo da conclusão dos testes clínicos.

“Em alguns outros tipos de estudos que envolvem medicamentos, em medicina e diagnóstico de doenças, às vezes têm estudos que são interrompidos no meio, quando você já mostra que o efeito do medicamento que está sendo testado é muito mais positivo que o placebo. Acaba sendo antiético você seguir com uma pesquisa para frente se você já tem resultados que são extremamente efetivos.”

Enfermeira aplica vacina em profissional da educação no Rio
Enfermeira aplica vacina em profissional da educação no Rio nesta segunda-feira (24)
Foto: Cleber Rodrigues/CNN

 

As vacinas contra a Covid-19 garantem proteção porque previnem a doença, especialmente nas formas graves, reduzindo as chances de morte e internações.

Embora não impeçam o contágio e nem a transmissão do vírus, a vacinação é essencial, já que induz o sistema de defesa do corpo a produzir imunidade contra o coronavírus pela ação de anticorpos específicos, segundo a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

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