Covid-19: o que a ciência já descartou no tratamento da doença 

Hidroxicloroquina, ivermectina, azitromicina e a tratamento com plasma convalescente já foram desaconselhados pela OMS

Equipes médicas com trajes de proteção tratam paciente com Covid-19 em unidade de terapia intensiva de hospital em Berlim
Equipes médicas com trajes de proteção tratam paciente com Covid-19 em unidade de terapia intensiva de hospital em Berlim 06/12/2021 REUTERS/Fabrizio Bensch

Anna Gabriela Costada CNN

em São Paulo

Ouvir notícia

Desde o início da pandemia de Covid-19, em março de 2020, até esta sexta-feira (10), o mundo já soma 5,2 milhões de mortes, 268 milhões de contaminações e ao menos sete variantes do novo coronavírus. Os números são da Universidade Johns Hopkins, e mostram o panorama de uma tragédia sanitária em escala global, onde a vacina surge como a medida mais promissora identificada pela ciência para cessar esses dados.

Porém, nos 21 meses de pandemia, diversos medicamentos e tratamentos foram estudados por cientistas como alternativas no tratamento contra a Covid-19, muitos destes já descartados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como efetivo no tratamento da doença.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tem uma lista de estudos clínicos autorizados, com dezenas de medicamentos e vacinas, que eventualmente podem vir a contribuir no combate ao novo coronavírus.

Até o momento, a agência reguladora do Brasil já liberou seis medicamentos para auxiliar no tratamento contra a Covid-19, ou seja, remédios a serem aplicados por profissionais da saúde em pacientes já contaminados em determinados contextos.

Dentre os medicamentos descartados como efetivos na doença estão a hidroxicloroquina, a ivermectina, a azitromicina e o tratamento com plasma convalescente (transfusão de sangue de paciente que já teve Covid-19). Confira:

Plasma convalescente

A OMS desaconselhou o uso de plasma convalescente para Covid-19; o alerta foi divulgado nesta segunda-feira (6).

“O plasma convalescente (uma transfusão de plasma sanguíneo de alguém que se recuperou de Covid-19) não é recomendado para pacientes com Covid-19”, afirmou um grupo de especialistas internacionais de desenvolvimento de diretrizes da OMS.

“Apesar de sua promessa inicial, as evidências atuais mostram que ele não melhora a sobrevida nem reduz a necessidade de ventilação mecânica e é caro e demorado para administrar”, acrescentou a OMS.

Com isso, a Organização fez uma forte recomendação contra o uso de plasma convalescente em pacientes com doença não grave, e uma recomendação contra seu uso em pacientes com doença grave e crítica, exceto no contexto de um ensaio clínico randomizado .

“As recomendações são baseadas em evidências de 16 estudos envolvendo 16.236 pacientes com infecção Covid-19 não grave, grave e crítica. Eles são parte de uma diretriz viva, desenvolvida pela Organização Mundial da Saúde com o apoio metodológico da MAGIC Evidence Ecosystem Foundation, para fornecer orientação confiável sobre o manejo de  Covid-19 e ajudar os médicos a tomarem melhores decisões com seus pacientes”, declarou a OMS.

Hidroxicloroquina

Em março deste ano, a Organização Mundial da Saúde (OMS) concluiu que a hidroxicloroquina não funciona no tratamento contra a Covid-19 e alertou ainda que seu uso pode causar efeitos adversos. O medicamento passou por uma análise de um grupo de especialistas e pacientes e recebeu “forte recomendação” contra o uso no combate ao coronavírus.

O grupo de 32 debatedores da OMS classificou a ineficiência da droga para tratamento de Covid-19 como de “alta certeza”. Eles sugeriram ainda que “os financiadores e pesquisadores devem reconsiderar o início ou continuação dessas experiências”. O documento foi publicado pela revista científica The BJM.

Ivermectina

Também em março de 2021, a OMS recomendou que a ivermectina não fosse utilizada para o tratamento de pacientes com Covid-19. Segundo a entidade, a eficácia do medicamento não foi comprovada. Uma publicação da OMS com diretrizes terapêuticas, sugere que o medicamento só seja administrado em ensaios clínicos.

Segundo o documento, os dados coletados para medir a eficácia da Ivermectina não produziram resultados conclusivos.

Janet Diaz, que lidera a equipe de resposta clínica ao coronavírus na OMS, reiterou que a droga não é recomendada independentemente da gravidade ou duração dos sintomas provocados pelo coronavírus.

Azitromicina

Um estudo da Universidade de Oxford concluiu que a azitromicina e a doxiciclina não são eficazes para tratar os sintomas iniciais da Covid-19. A pesquisa foi feita por uma plataforma de estudos da Oxford iniciada em março deste ano, que estuda possibilidades de tratamentos precoce contra o novo coronavírus.

Foram analisados 526 pacientes que tomaram azitromicina e 728 pacientes que tomaram doxiciclina, todos com mais de 50 anos. Os resultados mostraram que não há benefício significativo no tempo de recuperação de pacientes que tomaram os medicamentos.

Mais Recentes da CNN