Covid-19 pode afetar quem fez cirurgia bariátrica?

Médicos esclarecem dúvidas dos espectadores da CNN durante o quadro Plantão Médico deste domingo (16)

Da CNN

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Médicos já sinalizaram que a obesidade é um dos principais fatores de risco para a Covid-19, mas pessoas que realizaram a cirurgia bariátrica também devem ficar alertas dependendo de quanto tempo se passou desde a operação.

De acordo com o cardiologista Marcelo Sampaio, do hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, pacientes no pós-operatório da bariátrica provavelmente ainda estão com sobrepeso, logo, seguem no grupo de risco para o novo coronavírus.

“O fato é que se o paciente está em um pós-operatório recente, ele ainda não teve a oportunidade de perder peso e isso pode ter algum desbalanço. São pacientes que necessitam de suplementação seja de ferro, vitaminas ou de uma série de substâncias que a própria cirurgia bariátrica faz perder e que precisam estar bem compensadas”, explicou à CNN neste domingo (16), em participação no Plantão Médico. 

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Médicos Marcelo Sampaio e Fausto Flor Carvalho tiraram dúvidas sobre a Covid-19
Os médicos Marcelo Sampaio e Fausto Flor Carvalho tiraram dúvidas sobre a Covid-19
Foto: CNN Brasil (16.ago.2020)

Já no caso de pacientes que fizeram a cirurgia bariátrica há bastante tempo e não estão mais obesos, Sampaio disse que eles já não têm mais o “fator agravante de risco” para a Covid-19.

“A obesidade é um grande fator, é preciso ficar atento em relação a isso. (…) O vírus se ‘sequestra’ nas células gordurosas e isso parece aumentar sua capacidade de entrada e de infectividade”, detalhou o médico sobre o motivo da obesidade ser agravante para a Covid-19.

Síndrome em crianças

A Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica, que pode aparecer em até três semanas em crianças com Covid-19, tem causado preocupação entre os pais. A inflamação é grave, mas o médico Fausto Flor Carvalho, que é chefe do departamento de saúde escolar da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), disse à CNN que o Brasil registrou poucos casos dessa síndrome até o momento.

“No Brasil, temos em torno de 200 a 250 casos relatados. (…) As crianças que têm essa síndrome não necessariamente desenvolveram uma forma grave de Covid-19, às vezes tiveram sintomas muito leves: febre, garganta irritada e, de repente, em duas ou três semanas, apresentaram a reação grave.”

Carvalho explicou que a síndrome se manifesta como uma “resposta exagerada do corpo” ao novo coronavírus, mas que também pode surgir derivada de outras doenças.

“Não é exclusividade, mas ela tem ficado um pouco mais evidente com o coronavírus. Ainda não temos tratamento para a Covid-19, mas para a doença inflamatória há sim com medicações que normalmente são bastante eficazes.”

(Edição: André Rigue)

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