Defensoria Pública da União vai pedir ao Ministério da Saúde o desbloqueio de leitos no Rio

Mais de 900 vagas estão fechadas por falta de profissionais na rede federal

Stéfano SallesThayana AraújoIsabelle Resendeda CNN

Rio de Janeiro

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A Defensoria Pública da União (DPU) vai pedir ao Ministério da Saúde o desbloqueio de leitos hospitalares da rede federal na capital fluminense, impedidos por falta de funcionários. O órgão quer saber ainda qual o atual déficit de profissionais de saúde nas seis unidades federais no Rio. A DPU também irá solicitar uma reunião com a Coordenação de Assistência da Superintendência Estadual do Ministério da Saúde, para tratar do tema.

A prefeitura do Rio de Janeiro aguarda, desde a semana passada, uma resposta do governo federal sobre o pedido de reabertura de leitos. O órgão foi procurado para responder aos questionamentos da CNN sobre as vagas, mas ainda não houve resposta. De acordo com o secretário municipal de Saúde do Rio, Daniel Soranz, atualmente a rede federal tem 941 leitos fechados.

“A situação dos hospitais federais no Rio é absurda. São 941 leitos fechados e a cada dia apresentam uma produção menor. O responsável pelos hospitais federais no Rio é uma indicação política e não uma indicação do ministro da Saúde e não responde um único ofício”, afirma Soranz.

A pasta pediu ao ministério a reativação de 400 leitos, sendo 250 no Hospital Federal de Bonsucesso e 150 no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF-UFRJ). Segundo Soranz, esses 400 leitos já seriam suficientes para atender o aumento da demanda, embora representem menos da metade das vagas indisponíveis.

Na semana passada, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse que pasta poderia duplicar o número de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para atender a demanda gerada no país pelo avanço da variante Ômicron, se necessário.

Quanto a reativação dos leitos da rede federal e a contratação de novos profissionais a CNN entrou em contato com o Ministério da Saúde, mas ainda não obteve resposta.

Desde que um incêndio destruiu uma ala do Hospital Federal de Bonsucesso, em 2020, os serviços não foram retomados. Em novembro do ano passado, uma Inspeção da DPU constatou que cerca de 700 profissionais que trabalhavam na unidade foram cedidos e, mesmo após a conclusão das obras de recuperação, o Ministério da Saúde ainda não determinou o retorno dos funcionários ao hospital de origem.

No dia 29 de dezembro de 2021, a pasta publicou no Diário Oficial da União um edital de convocação, em caráter temporário, de 75 profissionais de saúde para o Hospital Federal de Bonsucesso. Na lista dos especialistas convocados estão cirurgiões, intensivistas, técnicos em laboratório, patologistas e nutricionistas.

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