Dia Mundial do Vitiligo alerta para o impacto da doença na saúde mental

Pessoas que vivem com a condição sofrem com o estigma, a exclusão e a baixa autoestima. Especialistas explicam que as lesões na pele não são contagiosas

Especialistas alertam para os impactos do vitiligo na autoestima dos pacientes
Especialistas alertam para os impactos do vitiligo na autoestima dos pacientes Foto: Getty Images (Jasmin Merdan)

Lucas Rocha, da CNN, em São Paulo

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O Dia Mundial do Vitiligo, 25 de junho, chama atenção para os impactos na saúde mental das pessoas que vivem com a doença que se manifesta na forma de manchas brancas na pele. Embora não provoque o adoecimento físico, o vitiligo atinge diretamente a autoestima dos pacientes. Apesar do estigma, especialistas esclarecem que a doença não é contagiosa, ou seja, não pode ser transmitida de uma pessoa para outra por meio do contato próximo.

“A importância dessa data é conscientizar a população sobre o vitiligo e reforçar que não é uma doença contagiosa. Ajudar a diminuir o preconceito, o estigma e a sensação de não serem aceitos ou incluídos por terem manchas na pele”, afirma a médica dermatologista Renata Janones, do Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

Segundo a Fundação de Pesquisa em Vitiligo (Vitiligo Research Foundation), a prevalência média da doença está entre 0,5% a 2% da população mundial. O número total de pessoas que sofrem de vitiligo é estimado em cerca de 65 a 95 milhões em todo o mundo.

Causas do vitiligo são incertas

O vitiligo é uma doença que apresenta como principal sintoma a perda da coloração da pele. As lesões são resultado da diminuição ou ausência de células responsáveis pela formação da melanina, o pigmento que dá cor à pele, chamadas melanócitos.

Segundo os especialistas, as causas da doença não são totalmente esclarecidas. No entanto, existem indícios de que o vitiligo tenha origem autoimune, podendo ser causado por reações do próprio organismo, que levam à destruição dos melanócitos.

De acordo com a dermatologista Renata Janones, o desenvolvimento da doença também pode ser influenciado por fatores genéticos e impactos emocionais. Segundo a médica, a doença pode atingir pessoas de todas as faixas etárias, das mais diversas etnias.

“Existe uma pré-disposição genética, cerca de 30 a 40% dos indivíduos com diagnóstico de vitiligo conseguem identificar um histórico familiar. Como qualquer doença autoimune, não sabemos exatamente o fator que a desencadeia. Pode ser uma infecção ou estresse emocional, como a perda de um parente ou mudança de cidade”, explica.

Manchas brancas na pele são o sintoma principal

Em geral, os pacientes com vitiligo apresentam como sintoma apenas as manchas brancas na pele. Em alguns casos, pode haver sensibilidade e dor na área das lesões. “Os lugares mais comuns são ao redor dos olhos, nas pálpebras, perto da boca e nos genitais. As manchas também podem aparecer nas extremidades, nas mãos e nos pés, embora possam acontecer em qualquer lugar”, explica Renata.

Segundo a médica, as manchas não apresentam sinais como irritação ou coceira. A doença também não provoca outros sintomas e não leva a qualquer tipo de adoecimento ou perda de função.

Dia Mundial do Vitiligo
O número total de pessoas que sofrem de vitiligo é estimado em cerca de 65 a 95 milhões em todo o mundo
Foto: Getty Images (Isabella Dias)

Tratamento pode levar ao controle das manchas

Embora não haja cura, existem diversas abordagens terapêuticas disponíveis para o tratamento do vitiligo. A escolha pela melhor alternativa deve ser discutida com o dermatologista, pois cada paciente pode reagir melhor a um tipo de tratamento.

Entre as terapias possíveis para o controle da doença estão o uso de medicamentos que induzem a repigmentação da pele afetada, cremes à base de corticoides e outros anti-inflamatórios, tecnologias como laser e fototerapia, além de cirurgia e transplante de melanócitos.

Segundo a dermatologista Renata Janones, as respostas ao tratamento variam de um paciente para outro. Em alguns casos, é possível reverter completamente a pigmentação da pele. “Depende da quantidade e da extensão das manchas na superfície do corpo. Depende também de quando surgiram as lesões. Quanto mais cedo começa o tratamento, melhor é a resposta. É possível conter o aumento das manchas e reverter a pigmentação da pele, às vezes 100%”, afirmou.

Além do tratamento, os pacientes devem seguir uma rotina de cuidados, principalmente em relação à exposição ao sol das áreas afetadas. As orientações incluem o uso de protetor solar (com fator de proteção acima de 50), além de roupas e acessórios como chapéus e bonés, que protejam a pele.

Quando procurar atendimento médico

A especialista explica que a quantidade, a localização e o tamanho das manchas podem variar de uma pessoa para outra. O ritmo de crescimento também é variável e a evolução pode acontecer ao longo de semanas ou meses.

A dermatologista destaca que manchas brancas podem ser sintomas de outras doenças que não estão relacionadas ao vitiligo, como hanseníase e câncer de pele. “Sempre é importante ter em mente que existem outros diagnósticos que causam manchas na pele. Se elas estão persistentes, se aquilo está incomodando ou se o número está aumentando, é importante procurar um dermatologista para fazer o diagnóstico adequado e tratar”, afirmou.

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