Dose única contra HPV protege significativamente contra câncer do colo do útero, diz OMS

Novas recomendações do grupo de trabalho da OMS têm como base preocupações com baixa cobertura vacinal no mundo

Meninas de 9 a 14 anos e jovens de 15 a 20 anos poderão receber dose única contra o HPV, segundo OMS
Meninas de 9 a 14 anos e jovens de 15 a 20 anos poderão receber dose única contra o HPV, segundo OMS Prefeitura de Jundiaí

Lucas Rochada CNN

em São Paulo

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A dose única da vacina contra o HPV oferece proteção robusta contra o vírus que causa o câncer de colo do útero. A proteção se mostrou comparável aos esquemas de duas ou três doses do imunizante. Os dados foram divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta segunda-feira (11).

Os achados são fruto de uma reunião do Grupo Consultivo Estratégico de Peritos em Imunização da OMS (SAGE, na sigla em inglês), realizada entre os dias 4 e 7 de abril.

Segundo a OMS, a descoberta pode ser um divisor de águas para a prevenção da doença, uma vez que a dose única poderia ser aplicada em um número maior de mulheres. A OMS afirma que o câncer do colo do útero é altamente evitável, sendo uma doença de desigualdade de acesso.

A nova recomendação do grupo de trabalho da OMS tem como base preocupações com a lenta introdução da vacina contra o HPV nos programas de imunização e baixa cobertura geral da população, especialmente em países mais pobres.

Mais de 95% dos casos do câncer do colo do útero são causados pelo HPV, vírus transmitido sexualmente. A doença é o quarto tipo de câncer mais comum em mulheres em todo o mundo, com 90% dessas mulheres vivendo em países de baixa e média renda.

“A vacina contra o HPV é altamente eficaz para a prevenção dos sorotipos 16 e 18 do HPV, que causam 70% dos casos de câncer do colo do útero”, disse Alejandro Cravioto, presidente da SAGE em comunicado.

O grupo de trabalho recomenda que os países introduzam as vacinas contra o HPV nos sistemas de saúde e priorizem a recuperação de meninas e mulheres que ainda não foram imunizadas. Segundo a OMS, as orientações poderão contribuir para aumentar a cobertura vacinal e, consequentemente, evitar o desenvolvimento desse tipo de câncer.

Orientações da OMS

A OMS recomenda a atualização dos esquemas de dose para HPV da seguinte forma

  • Esquema de uma ou duas doses para o alvo primário de meninas de 9 a 14 anos
  • Esquema de uma ou duas doses para mulheres de 15 a 20 anos
  • Duas doses com intervalo de seis meses para mulheres com mais de 21 anos

De acordo com a OMS, pessoas imunocomprometidas, incluindo aquelas com HIV, devem receber três doses, quando possível, ou no mínimo duas doses, uma vez que as evidências sobre a eficácia de uma dose única neste grupo ainda são limitadas.

“Acredito firmemente que a eliminação do câncer do colo do útero é possível. Em 2020, a Iniciativa de Eliminação do Câncer Cervical foi lançada para enfrentar vários desafios, incluindo a desigualdade no acesso a vacinas. Essa recomendação de dose única tem o potencial de nos levar mais rápido ao nosso objetivo de ter 90% das meninas vacinadas aos 15 anos até 2030”, comentou a Diretora-Geral Adjunta da OMS, Princess Nothemba (Nono) Simelela.

Cobertura vacinal

Globalmente, a aceitação da vacina tem sido lenta e a cobertura nos países muito inferior à meta de 90%. Em 2020 a cobertura global com duas doses foi de apenas 13%.

Segundo a OMS, vários fatores influenciaram este cenário, incluindo desafios de fornecimento, de planejamento e custos relacionados à entrega do esquema de duas doses para mulheres mais velhas que normalmente não fazem parte dos programas de vacinação infantil. Além disso, pesa o custo relativamente alto das vacinas contra o HPV, principalmente para países de renda média.

“Precisamos de compromisso político complementado com caminhos equitativos para o acesso à vacina contra o HPV. Não fazer isso é uma injustiça para a geração de meninas e mulheres jovens que podem estar em risco de câncer do colo do útero”, completa Princess.

A opção por um esquema de dose única da vacina é menos dispendiosa, consome menos recursos e é mais fácil de administrar. Além disso, facilita a implementação de campanhas de recuperação para várias faixas etárias, reduz os desafios ligados ao rastreamento de meninas para a segunda dose e permite que os recursos financeiros e humanos sejam redirecionados para outras prioridades de saúde.

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