Dr. Kalil: Obesidade e tabagismo são fatores no desenvolvimento de tumores

Após o tabagismo, obesidade é o principal fator modificável para tumores; sedentarismo pode dobrar recorrência da doença, aponta estudo canadense trazido por especialistas ao CNN Sinais Vitais

Da CNN Brasil
Compartilhar matéria

A obesidade e o sedentarismo figuram entre os principais fatores de risco modificáveis para o desenvolvimento de câncer, ficando atrás apenas do tabagismo. Ao CNN Sinais Vitais, especialistas alertam que o excesso de gordura corporal desencadeia uma série de mecanismos biológicos que favorecem o surgimento de tumores, incluindo resistência à insulina, alterações no metabolismo hormonal e, sobretudo, um processo de inflamação crônica no organismo.

Segundo Paulo Hoff, professor titular de Oncologia da FMUSP e diretor do ICESP, a obesidade pode aumentar de duas a quatro vezes o risco de câncer de fígado.

"Estamos falando de 200% a 400% de aumento do risco de câncer de fígado", afirmou o professor.

Ele destacou que, desconsiderando o tabaco e o consumo excessivo de álcool, "a obesidade acaba sendo um dos fatores que adiciona maior risco ao desenvolvimento de câncer", reforçando a necessidade de boa alimentação, prática de exercícios físicos e controle do peso corporal.

Sedentarismo e recorrência de tumores

O impacto do sedentarismo também foi destacado no debate. Paulo Hoff citou um estudo prospectivo canadense apresentado em 2025, segundo o qual pacientes que receberam acompanhamento para a prática de atividade física tiveram metade da recorrência de tumores em comparação com aqueles que receberam apenas orientações gerais.

"Houve uma queda de 50% na recorrência em relação ao grupo que foi bem tratado, mas não fazia exercício regularmente", explicou.

Além disso, o estudo registrou redução no surgimento de novos tumores, como o câncer de mama entre as mulheres participantes, demonstrando que o impacto da atividade física transcende o tratamento do câncer já diagnosticado.

Maria Ignez Braghiroli, oncologista clínica do ICESP, complementou, mencionando outro trabalho apresentado no Congresso Americano de Oncologia, que analisou padrões de dieta e sua correlação com fatores inflamatórios medidos no sangue.

"Naquele grupo de pessoas que tinham uma dieta com um perfil menos inflamatório, também havia menor recorrência de câncer, principalmente se associado à atividade física", destacou a oncologista.

O cigarro e os tumores além do pulmão

O tabagismo segue como o principal fator de risco para o câncer no mundo. No Brasil, a taxa de tabagismo recuou e está em torno de 12%, mas globalmente o câncer de pulmão provocado pelo cigarro continua sendo a principal causa de morte relacionada à doença.

Braghiroli chamou atenção para um aspecto frequentemente negligenciado: os efeitos do cigarro em outros órgãos.

"O câncer de pâncreas é um dos principais fatores de risco ao cigarro, o câncer de bexiga é um dos principais fatores de risco ao cigarro", alertou a especialista, ressaltando que são doenças que as pessoas geralmente não associam ao tabagismo, mas que também têm seu risco aumentado pelo hábito de fumar.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.