Dr. Kalil sugere 30 minutos de caminhada por dia para auxiliar memória

Neurologistas entrevistados no CNN Sinais Vitais destacam importância da atividade física e do sono para saúde mental e prevenção de demências; depressão e ansiedade são fatores de risco

Da CNN Brasil
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A prática regular de exercícios físicos, especialmente caminhadas, tem papel fundamental na saúde cerebral e na prevenção de doenças neurodegenerativas. Em conversa com o Dr. Roberto Kalil, durante o CNN Sinais Vitais do último sábado (11), os neurologistas Paulo Bertolluci, professor da Unifesp, e Diogo Haddad, professor da Santa Casa, destacaram como hábitos simples podem fazer grande diferença na preservação da memória e na saúde mental.

Kalil afirmou que apenas 30 minutos de caminhada, cinco vezes por semana, são suficientes para limpar as toxinas cerebrais que podem prejudicar o funcionamento do órgão. "Você vai ter uma vassourinha limpando as substâncias tóxicas do sistema glinfático", explicou o médico, referindo-se ao mecanismo de limpeza natural do cérebro.

Outro ponto crucial destacado pelos especialistas foi a qualidade do sono. Segundo Diogo Haddad, é durante o sono profundo que ocorre a limpeza das proteínas inadequadas no cérebro. "O pessoal que está dormindo mal tem maior risco de acúmulo de proteínas inadequadas, batendo diretamente com as fisiopatologias", alertou o especialista, relacionando diretamente a má qualidade do sono com o desenvolvimento de doenças neurodegenerativas.

A saúde mental também foi apontada como fator determinante para a preservação cognitiva. De acordo com Haddad, em pacientes jovens, ansiedade e depressão são as principais condições que podem simular sintomas de doenças cognitivas neurodegenerativas. "Depressão é um desses 14 principais fatores de risco de doenças demenciais. Então deve ser tratado", enfatizou o neurologista.

Os especialistas também abordaram o conceito de reserva cognitiva, que se refere à capacidade do cérebro de lidar com danos e manter o funcionamento. Segundo eles, o nível educacional tem impacto significativo nessa reserva, especialmente no contexto brasileiro. "Nível educacional no Brasil, talvez tenha um impacto muito maior como relação de processos demenciais do que em outros países", explicou Haddad.

Por fim, a educação formal e a busca contínua por conhecimento foram destacadas como formas de construir essa reserva cognitiva ao longo da vida, podendo retardar o surgimento de doenças demenciais. "O estudo e a forma de como buscar conhecimento são importantes ao longo da nossa vida e devem ser pautados desde o paciente jovem como forma de prevenção da doença", concluiu o neurologista.

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