Em simulação, TrateCov indica cloroquina para bebê com febre e congestão nasal

App, lançado pelo Ministério da Saúde em janeiro e que não está mais no ar, foi um dos principais pontos debatidos durante depoimento de Mayra Pinheiro à CPI

Raquel Landimda CNN

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Em depoimento à CPI da Pandemia, a secretária do Ministério da Saúde Mayra Pinheiro afirmou que o aplicativo TrateCov teria sido invadido pelo jornalista Rodrigo Menegat.

O app não está mais disponível pelo link original, mas é possível acessá-lo através de um site que arquiva versões antigas das páginas da internet. 

A reportagem da CNN refez a simulação de um bebê de cinco meses com febre e congestão nasal, sem contato com paciente com Covid-19. A plataforma recomendou cloroquina, hidroxicloroquina, ivermectina, entre outros medicamentos do chamado “kit Covid”.

Quem fez a cópia da página antes que o Ministério da Saúde tirasse a plataforma do ar foi Rodrigo Menegat. Além de jornalista, ele também é programador e especialista em análise de dados pela Universidade de Columbia.

Em janeiro deste ano, quando a mídia e especialistas da saúde descobriram o aplicativo, Menegat foi um dos primeiros a examiná-lo.

Em publicação no Twitter, ele escreveu: “Bicho, eu acabei de colocar no aplicativo TrateCov que meu paciente é um recém-nascido de uma semana que tem dor de barriga e nariz escorrendo. O aplicativo recomendou cloroquina, ivermectina, azitromicina e tudo o mais. Crime, crime, crime, crime.”

Segundo pessoas próximas a ele, Menegat fez então uma cópia do código da plataforma, que estava disponível para qualquer pessoa com acesso à internet, e voltou a publicar no Twitter: “o código-fonte do app TrateCov está acessível pra quem quiser pegar na URL usando o inspetor de elementos. Ele foi gerado através de um framework e injetado, então é duro seguir a lógica do início ao fim. De qualquer modo, ele só receita o ‘kit Covid’.”

Menegat identificou que havia oito medicamentos no código-fonte para o tratamento precoce. Procurado pela CNN, o jornalista não quis dar entrevista.

‘Protótipo’

Aos senadores, Mayra Pinheiro afirmou que versão lançada do TrateCov em janeiro era um protótipo que foi abandonado após ter dados extraídos, no seu entendimento, de forma indevida por Rodrigo Menegat.

A secretária contrariou a versão dada pelo ex-ministro Eduardo Pazuello de que o app teria sido hackeado, e como ela própria havia dito, anteriormente, à Polícia Federal (PF).

Aplicativo do Ministério da Saúde, TrateCOV
Aplicativo do Ministério da Saúde, TrateCOV
Foto: Reprodução/Casa Civil (14.jan.2021)

“Ele não conseguiu hackear. Ele fez uma extração indevida de dados. Hackear é quando usa a senha de alguém, entra em uma plataforma, um sistema. Não é hackeamento o termo – que foi usado por leigos. Hoje temos o laudo que classifica como extração indevida de dados”, afirmou Mayra.

Ela também declarou que não houve qualquer tipo de alteração no códigos-fonte da plataforma ou nãs recomendações emitidas pelo TrateCov “porque o sistema era seguro”. “Ele só fez simulações indevidas. [O sistema] foi retirado do ar para investigação.”

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