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    Entenda como o novo coronavírus pode provocar problemas renais

    Estudo da Unifesp aponta que a interação do novo coronavírus com uma enzima pode provocar danos aos rins de pacientes com a Covid-19

    Mufid Majnun/Unsplash

    Lucas Rochada CNN

    em São Paulo

    Cientistas em todo o mundo têm realizado descobertas dos possíveis impactos que a Covid-19 tem para o organismo humano. Embora seja uma doença de transmissão respiratória, os danos causados pela infecção pelo novo coronavírus podem ter uma extensão maior do que as lesões ao pulmão e o aparelho respiratório.

    Uma pesquisa conduzida por especialistas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) mostrou que o SARS-CoV-2 também é capaz de provocar danos aos rins. O estudo de revisão fez um apanhado de diversos achados científicos para montar o quebra-cabeças que explica como o vírus pode levar a problemas graves no sistema renal. Os resultados foram publicados no periódico Frontiers in Physiology.

    Lesão renal é fruto da interação do vírus com uma enzima

    Os pesquisadores estimam que a chave pode estar na interação do vírus com uma importante enzima presente no organismo humano. Quando uma pessoa é infectada, o novo coronavírus precisa interagir com a enzima chamada “conversora de angiotensina 2” (ACE2, na sigla em inglês). Ela permite que o vírus entre nas células humanas e dê início ao processo de replicação, que é fundamental para o processo de infecção.

    O que os pesquisadores da Unifesp descobriram é que essa enzima específica também é capaz de induzir um desequilíbrio em outros sistemas do organismo, incluindo o responsável por regular a pressão arterial (chamado renina-angiotensina) e outro que está envolvido em vários processos biológicos (chamado calicreína-cinina). Embora os nomes pareçam complicados, o resultado é simples: a enzima influencia nos processos de inflamação, controle da pressão sanguínea e proliferação celular.

    Com essa informação, os cientistas compreenderam que o comprometimento das funções da enzima ACE2 pode reduzir o fluxo sanguíneo e a capacidade de filtração dos rins. A alteração da função renal pode dificultar a eliminação de substâncias que, em excesso, podem ser tóxicas para o organismo.

    Além disso, com o aumento da contração dos vasos sanguíneos (vasoconstrição), há uma sobrecarga e comprometimento da função renal. Segundo o estudo, a incidência de lesão renal aguda pode variar de 20% a 40% dos pacientes com a Covid-19.

    (Com informações da Agência Fapesp)