Entenda doença que levou Isis Valverde a ser internada três vezes em 2026
Doença celíaca é condição autoimune desencadeada pela ingestão de glúten

A atriz Isis Valverde, 39, relatou que foi internada três vezes em 2026 por conta de condição autoimune. Ela usou as redes sociais para falar sobre a doença celíaca, condição autoimune desencadeada pelo consumo de glúten, proteína que está presente no trigo, na cevada e no centeio.
"Essa parte é traumatizante, descobri com 19 anos de idade, e a minha doença celíaca é muito agressiva em um nível de que, se eu tiver contato com um óleo que fritou glúten e eu comer, vou passar muito mal. No início do ano, quando estava trabalhando, fui internada três vezes", afirmou.
Entenda a condição que levou a atriz às internações.
Doença é causada pela intolerância à proteína
A doença celíaca é uma intolerância ao glúten, adquirida de forma hereditária. A condição causa alterações características no revestimento do intestino delgado, resultando em má absorção dos nutrientes. Como consequência, após a ingestão de glúten, o revestimento intestinal se inflama, causando sintomas como diarreia, perda de peso e, em casos mais extremos, desnutrição.
Algumas pessoas só desenvolvem os sintomas da doença na vida adulta. Em sua maioria, são sintomas digestivos, acompanhados de fraqueza e perda de apetite. Se não tratada, a doença pode levar a quadros severos de desnutrição, pela má absorção dos nutrientes pelas paredes do intestino.
De acordo com dados do Manual MSD, aproximadamente 7% das pessoas com doença celíaca desenvolvem erupções cutâneas doloridas com prurido e pequenas bolhas – um quadro clínico chamado dermatite herpetiforme.
Doença é mais grave em crianças, com sintomas adicionais
Na infância, os sintomas podem começar ainda na primeira infância. Os sintomas vão desde leves desconfortos estomacais até distensão abdominal dolorida e fezes de cor clara e volumosas. As crianças diagnosticadas com doença celíaca podem apresentar crescimento mais lento, além de aparência pálida.
As deficiências nutricionais resultantes da má absorção na doença celíaca podem causar sintomas adicionais. Anemia severa, má absorção da vitamina B12 e deficiência de cálcio são algumas das consequências da doença. Meninas com doença celíaca podem não ter períodos menstruais na vida adulta devido a uma baixa produção de hormônios, como estrogênio.
Condição ainda é subnotificada no Brasil
A doença celíaca é um transtorno hereditário que pode afetar até 1,4% da população mundial. No entanto, de acordo com a Fenacelbra (Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil), cerca de 80% das pessoas no Brasil seguem sem diagnóstico.
O país ainda carece de estudos mais abrangentes sobre a prevalência da doença, o que reforça a subnotificação dos casos. Muitos pacientes convivem por anos com sintomas tratados de forma isolada, sem que a doença celíaca seja considerada como causa de base.
O diagnóstico é feito por meio de exames laboratoriais específicos, com acompanhamento de especialista. A medição do número de anticorpos específicos produzidos quando uma pessoa com doença celíaca consome glúten é um exame preciso, usado para confirmar o diagnóstico.
Em alguns casos, é necessário realizar uma biópsia intestinal: o médico retira uma amostra do tecido do revestimento do intestino delgado da pessoa e a examina sob o microscópio. Exames de sangue também podem indicar a presença de genes que aumentam a probabilidade de desenvolver a doença, auxiliando pessoas a monitorar os sintomas e aumentando as chances de um diagnóstico precoce.


