Entenda quais são os riscos de uma gravidez de gêmeos

Especialista ouvida pela CNN explica os motivos pelos quais esse tipo de gestação requer monitoramento ampliado

Gestações de gêmeos representam um risco aumentado em relação à gravidez única
Gestações de gêmeos representam um risco aumentado em relação à gravidez única Getty Images/Tetra images RF

Da CNN Portugal

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A morte de um dos filhos que Cristiano Ronaldo e Georgina Rodríguez esperavam marcou o início desta semana. A Correspondente Médica da CNN Portugal, Ana Sofia Baptista, afirmou no programa CNN Fim de Tarde que as gestações de gêmeos representam um risco aumentado em relação à gravidez única.

“Estes casos são raros, sobretudo em gestações bem monitoradas, como naturalmente é o caso. No entanto, as gestações de gêmeos são sempre de maior risco, quer durante a própria gravidez, quer durante o parto”, diz.

“O risco é um fenômeno associado à restrição de crescimento fetal – em palavras simples, é um bebê que não cresce o que era esperado para a idade gestacional. Este fenômeno, que pode acontecer em todas as gestações, mas em especial nas de gêmeos, pode ter como consequência uma morte fetal”.

Ana Sofia Baptista afirma, no entanto, que podem ter ocorrido outras complicações.

“Pode ter acontecido algo inesperadamente durante o parto, que tenha causado sofrimento agudo ao bebê. Falta de oxigênio (hipoxia fetal), uma compressão do cordão umbilical, um descolamento de placenta. As hipóteses são muitas e, numa gravidez de gêmeos, é sempre maior este risco”.

Sobre possíveis sequelas para a criança que nasceu, a especialista afirma que tudo depende “da razão da morte do outro bebê.

Marina Mocho, diretora do serviço de obstetrícia do Hospital de São João, compartilha da opinião de que estas gestações trazem mais riscos.

“As gestações de gêmeos são sempre especiais. Têm sempre uma vigilância diferente e os riscos de acontecerem percalços são sempre maiores. Eles eram gêmeos diferentes, por isso tinham duas placentas, algum deles podia ter alguma alteração de crescimento ou um deles nascer muito cedo e não resistir”, descreve.

“Quando é uma morte in utero, quando as mulheres chegam ao hospital porque não sentem o bebê mexer ou qualquer coisa assim, é uma coisa que apreendem ao mesmo tempo que nós porque veem na ecografia que o coração não está batendo e nós temos que dizer no momento. Quando é próximo ou durante o trabalho de parto geralmente são situações catastróficas”, como o descolamento da placenta, explica Marina Mocho.

“São situações de emergência médica e, muitas vezes, a mãe nem é a primeira a saber, mas o pai. Foi operada de urgência, é comunicado primeiro ao pai e depois à mãe”.

Este conteúdo foi criado originalmente em português (pt).

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