Entender a Covid longa pode ajudar no tratamento e prevenção, diz infectologista

Rosana Richtmann, diretora da Sociedade Brasileira de Infectologia, diz que viu, na prática, muitas pessoas com sintomas por longos períodos

Atendimento médico a paciente internada com a Covid-19
Atendimento médico a paciente internada com a Covid-19 Breno Esaki/Agência Saúde DF

Amanda GarciaBel Camposda CNN

Ouvir notícia

Um estudo da Universidade de Oxford, do Reino Unido, apontou que 37% dos pacientes que tiveram Covid-19 continuaram com sintomas de 3 a 6 meses após serem infectados pela doença.

Na avaliação da infectologista e diretora do Comitê de Imunizações da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Rosana Ritchmann, em entrevista à CNN, o levantamento “dá números para o que a gente vê na prática, os sintomas não acabam na fase aguda da doença.”

Ela diz que embora não haja um estudo brasileiro em andamento, a situação é vista, na prática, em seu consultório. Segundo Richtmann, essa característica do coronavírus é inédita.

Ela comparou com o vírus da gripe, influenza, que é respiratório e também tem potencial para evolução aguda e para mortes.

“Na gripe, a gente não vê esse tipo de sequela, o coronavírus mostrou que, como tem receptor, além do pulmão, no cérebro, rins, coração, músculos, acaba conseguindo fazer uma doença mais generalizada, sistêmica, com muito mais capacidade do que outros vírus”, explicou.

Entre as sequelas mais comuns, estão dores de cabeça, depressão, ansiedade, falta de fôlego, entre outros.

A infectologista reforçou ser necessário entender melhor a fisiopatologia do coronavírus, como ele se comporta, para entender por que há sintomas prolongados. “O assunto é um pouco nebuloso, mas esses estudos são fundamentais para traçarmos cada vez mais o perfil de prevenção e tratamento.”

Ela fez a ressalva, no entanto, de que os números do estudo são do início da pandemia. “Não quero assustar as pessoas, ainda mais numa era pós-vacinação, mas 2020 foi uma coisa e agora é outra. Os casos foram modificados pela vacina, a maioria é mais leve, a chance de ter sequelas da Covid prolongada, deve ter menor impacto.”

Mais Recentes da CNN