Epidemiologista: Não há vacina suficiente no Brasil para interromper transmissão

Mesmo com aquisição de 54 milhões de doses pelo Ministério da Saúde, é necessário firmar novos acordos, diz Carla Domingues

Da CNN, em São Paulo

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A compra pelo Ministério da Saúde de 54 milhões de doses da vacina produzida pelo Instituto Butantan não será suficiente para imunizar a curto prazo a população brasileira, se o governo federal não firmar contrato com outros laboratórios para aquisição de outras vacinas. O alerta é da epidemiologista e ex-coordenadora do Plano Nacional de Imunização (PNI), Carla Domingues, em entrevista à CNN nesta terça-feira (16).

“A gente tem que ter claro que essas vacinas serão entregues ao longo do ano, então será insuficiente. Se o Brasil não buscar mais vacina, ainda teremos gargalos ao longo dos próximos meses. É preciso assinar outros contratos e não contar só com Biomanguinhos e Butantan nesse momento”, explica.

 

A epidemiologista Carla Domingues (16.fev.2021)
A epidemiologista Carla Domingues (16.fev.2021)
Foto: Reprodução/CNN

 
 

“Não há vacina suficiente no Brasil para interromper uma cadeia de transmissão, precisaríamos de milhões de doses, vacinando várias cidades ao mesmo tempo. Temos de olhar onde teremos maior impacto no adoecimento, localidades onde tem elevação do número de óbitos e os serviços de saúde estão esgotados. Possivelmente pode ser uma estratégia de vacinar ao menos a população idosa. O que podemos com as vacinas que temos é prevenir óbitos e hospitalizações”, avalia.

Ela cobra uma posição mais firme dos governantes, já que a rede privada também se movimenta para adquirir doses. “Parece que o governo federal está querendo abrir mão da condução do Plano Nacional de Vacinação. Não vejo sentido laboratórios oferecendo e a vacinação não sendo feita pelo SUS, como sempre fizemos. O setor privado pode ser complementar, se tivermos ao menos os grupos prioritários sendo vacinados”, avalia.

“Nesse momento que o Ministério da Saúde sequer cumpriu a compra para população idosa e com comorbidade, abrir para o setor privado parece que realmente abrimos mão da governança nacional e estamos deixando que cada um organize sua vacinação. Esse não é o caminho adequado”, complementa.

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