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    Escolas do Rio divergem sobre obrigatoriedade da vacinação para aula presencial

    Secretaria Municipal de Saúde descarta pedir o passaporte vacinal, mas não há consenso na rede privada

    Jovem sendo vacinada em São Paulo
    Jovem sendo vacinada em São Paulo Universal Images Group via Getty

    Pauline AlmeidaBeatriz Puenteda CNN no Rio de Janeiro

    Com o avanço da vacinação contra a Covid-19 entre os adolescentes no Rio de Janeiro, uma escola particular carioca decidiu tornar obrigatória a imunização para que os alunos frequentem as aulas presenciais.

    Na rede pública, a Secretaria Municipal de Saúde descarta pedir o passaporte vacinal. Já na rede privada, a medida não tem consenso.

    A escolha por determinar a imunização como critério para o ensino presencial partiu da Escola Americana do Rio de Janeiro, na Gávea, zona sul da cidade. O diretor-geral Nigel J Winnard acredita que é responsabilidade da liderança da unidade de ensino garantir que a comunidade escolar seja mantida em segurança.

    “A reação da nossa comunidade à decisão da escola foi relativamente tranquila. Vários pais expressaram seus agradecimentos e admiração pelo fato de a escola estar tomando uma postura proativa nessa questão de saúde pública. Embora existam poucas coisas na vida que atraem a concordância universal, sentimos que nossa comunidade como um todo apoia nosso desejo de manter todos os nossos alunos seguros quando estudam juntos no campus”, declarou Winnard.

    Os pais que decidirem não vacinar os filhos terão como opção o ensino virtual.

    Já a Recreio Christian School, segundo o diretor Gabriel Frozi, é favorável à imunização, mas não à obrigatoriedade para a ida à escola.

    “Eu acho que é prematuro isso, uma vez que o prefeito ainda não determinou que as escolas façam isso. Se o prefeito, juntamente com a Vigilância Sanitária, e os seus técnicos identificarem que isso é necessário – e se vier, seria bom também uma unificação do Ministério da Saúde, do Ministério da Educação – eu acho que não tem como não fazer. Mas fazer isso sem que a gente tenha essa obrigatoriedade, eu acho prematuro, por quê? Porque as crianças já estão sofrendo muito esse tempo todo. As crianças são a classe que vem crescendo com um mal que eles não esperavam, não estão entendendo o que está acontecendo”, defendeu.

    Nesta segunda-feira (30), as garotas de 16 anos são imunizadas contra a Covid-19 no Rio de Janeiro. Na terça-feira (31), será a vez dos meninos de 16 anos. A Secretaria Municipal de Saúde espera ter todo o público entre 12 e 17 anos vacinado até o meio deste mês de setembro.

    No Colégio e Curso pH, que tem várias unidades no Rio, uma campanha é realizada para incentivar que os alunos sigam o calendário da prefeitura. A escola está divulgando as datas e vai flexibilizar avaliações que coincidam, além de elaborar um plano para recuperação dos conteúdos perdidos durante a ida à vacinação ou após possíveis efeitos da aplicação da dose.

    “Queremos explicar que as vacinas disponibilizadas são seguras e estão autorizadas pelos nossos órgãos de saúde, em especial a Anvisa. É importante evidenciar – para alunos e famílias – a relação entre a vacinação e a proteção coletiva, mostrando como a negação individual pode atingir o coletivo”, apontou Filipe Couto, diretor pedagógico geral do Colégio pH.

    A CNN procurou o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino, que representa as escolas particulares, mas ainda não teve um retorno.

    Já a Associação Brasileira de Educação Infantil, representante das instituições que atuam com as crianças até cinco anos, ainda não incluídas no plano de vacinação, aguarda o avanço das discussões.

    “Não há sinal da própria Anvisa sobre possibilidade ou indicativo de vacinação de crianças abaixo de 12 anos. Asbrei está sempre em consonância com os órgãos de saúde e vigilância sanitária, seguindo à risca todos os protocolos de segurança”, afirmou Daniell Roriz, advogado da entidade.

    E a rede pública?

    A Secretaria Municipal de Saúde informou à CNN que não está prevista a exigência do passaporte vacinal para a rede escolar. As mais de 1.540 unidades de ensino retomaram as aulas presenciais, com protocolos de distanciamento e revezamento, além de adequações, como pontos de álcool em gel e bebedouros adaptados para copos e garrafas.

    A CNN procurou a Secretaria Estadual de Saúde sobre o assunto, mas não teve um retorno até o momento. O Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe), que representa os servidores da rede pública, não deliberou sobre o passaporte de vacinação, mas ressalta a importância de esclarecer os estudantes.

    “Nós acreditamos muito na autodeclaração, no trabalho de conscientização, acho que é pedagógico. A escola é um espaço de formação de consciência, a gente tem que trabalhar numa perspectiva de apontar a importância da vacina”, apontou o coordenador-geral do Sepe, Gustavo Miranda.