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    Estagnação da vacinação contra Covid ameaça combate à doença, aponta Fiocruz

    Adesão à imunização no Brasil diminui a cada etapa, caindo de quase 84% na primeira dose para 43% no reforço

    Isabelle ResendeNathalie Hanna Alpacada CNN

    no Rio de Janeiro

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    Pouco mais de um ano após o início da campanha de vacinação contra a Covid-19, a cobertura vacinal no Brasil estagnou.

    É o que aponta uma nota técnica publicada pela Fundação Oswaldo Cruz com base em dados do Ministério da Saúde.

    O estudo divulgado nesta quarta-feira (29) mostra que 83,98% da população já foi imunizada com ao menos uma dose e 78,93% têm o esquema primário completo (segunda dose).

    A análise revela as dificuldades no avanço em todas as faixas etárias e a discrepância na cobertura entre as regiões.

    Dados da agência CNN indicam ainda baixa adesão ao reforço com a 3ª e 4ª doses no país, com 43,44% e 6,63%, respectivamente.

    Enquanto as regiões Sul e Sudeste apresentam elevado percentual da população imunizada, outras partes do país registram bolsões com baixa vacinação contra a Covid-19.

    Em relação a primeira dose e esquema primário completo (2ª dose), foi observada uma menor cobertura principalmente em municípios do Centro-Oeste e Norte.

    Também nestes locais, a primeira dose de reforço persiste com cobertura baixa, em cerca de 50% ou menos.

    É o caso das capitais Porto Velho, onde somente 38% da população adulta tomou a primeira dose de reforço (3ª dose), e Cuiabá, com 43,7%.

    Já os estados de São Paulo e Minas Gerais, Piauí, Paraíba, Bahia e do Sul apresentam a maior cobertura da primeira dose de reforço.

    A diferença também é observada na cobertura para crianças e adolescentes de 12 a 17 anos, onde áreas do Centro-Oeste e do Norte do país novamente registram baixa cobertura.

    Segundo a Fiocruz, parte desse cenário pode ser explicado pela falta de ações coordenadas e centralizadas das autoridades desde o início da crise de saúde.

    “Durante o ano de 2021, vários gestores de prefeituras tentaram acelerar a vacinação com o objetivo de alcançar o quanto antes a população maior que 18 anos. Essa situação provocou calendários divergentes entre municípios”, diz o estudo.

    A Fiocruz alerta que a desmobilização da população em relação à gravidade da doença e a baixa procura por imunizantes em alguns locais e grupos populacionais podem proporcionar uma janela de transmissão da doença e trazer problemas ao sistema de saúde.

    Além disso, mostra-se um risco no combate à doença, permitindo que novas variantes surjam e que a velocidade de contágio da Covid-19 aumente consideravelmente.

    Segundo os dados da plataforma Our World in Data, também divulgados pela Fiocruz nesta quarta-feira, a estagnação na cobertura vacinal ocorreu na maioria das nações.

    Na Coreia do Sul e no Vietnã, o problema é registrado com 81% da população com esquema primário completo. Uruguai e Argentina apresentam esse cenário com cerca de 72% da população vacinada.

    Brasil, Estados Unidos, Tailândia, Alemanha e França apresentaram estagnação em 62%. Já Turquia, México, Indonésia e Índia apresentaram estagnação com percentual de cobertura em torno de 57%.

    A nota técnica da Fiocruz destaca ainda a dificuldade na unificação dos dados diante da falta de padronização dos sistemas de alguns estados.

    Um dos exemplos citados no documento é o preenchimento dos dados da primeira e segunda doses de reforço nos estados de Goiás, Pará, Roraima, Acre, Amapá, Maranhão, Rio de Janeiro, São Paulo, Tocantins, Espírito Santo e Rio Grande do Norte.

    Nestes locais, parte das vacinas aplicadas como segunda dose de reforço pode ter sido registrada como primeira dose de reforço. Essa inconsistência pode, segundo a fundação, comprometer o acompanhamento do processo de imunização.

    A vacinação contra a Covid-19 nas capitais

    No Sudeste do país, Belo Horizonte (MG) teve uma adesão para a D1 de 109,1% e de 100,3% para a D2. O índice ultrapassa os 100% quando o número de vacinados extrapola o público-alvo previsto.

    Já na primeira dose de reforço diminuiu para 82,7% e na segunda, 38,1%. No Rio de Janeiro (RJ), 99,9% da população foi vacinada com a primeira dose, 99,8% com a segunda, 70,4% com a primeira dose de reforço e 36,1% com a segunda.

    São Paulo (SP) apresentou uma adesão à D1 de 110,5% e de 107,1% à D2. A D3 e a D4 tiveram 80,7% e 53,9%, respectivamente.

    Em relação ao público de 18 a 59 anos, Vitória (ES) teve 111,44% da população vacinada com a D1, 110, 01% com a D2, 63,23% com a D3 e 8,53% com a D4.

    Diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Mônica Levi acredita que, no início da campanha, a adesão era alta, mas foi perdendo força ao longo do tempo por falta de informação.

    Segundo a médica, é necessário que o governo forneça e faça mais campanhas para estimular a população a tomar o imunizante.

    “Existe ainda muito preconceito com a vacina, ainda mais que surge muita fake news em cima dela. O esquema de vacinação foi muito confuso, nunca existiram quatro tipos de vacinas diferentes para a mesma doença, muito menos quatro vacinas com intervalos diferentes. Com isso, a população perdeu a credibilidade nos imunizantes e parou de procurar os postos de saúde. Fora a questão de defasagem, que muitos locais do país ainda apresentam problemas de digitalização”, diz a diretora.

    A cobertura da primeira dose (D1) em Recife (PE) e Salvador (BA) chegou a 98%, caiu para 97% na segunda, reduzindo ainda mais, para 69%, na primeira dose de reforço.

    Já a população de Maceió (AL) teve uma adesão de 83% a primeira dose, 82% a segunda e 36% a primeira de reforço. Em Porto Velho (RO), a D1 teve uma cobertura de 85%, a D2 de 77% e as doses de reforço apresentaram uma queda brusca, com a primeira dose em 38% e a segunda em 12%.

    Para o público acima de 18 anos, a D1 em Cuiabá (MT) foi aplicada em 96,3% do público-alvo, enquanto a D2 em 92,4%.

    Já a dose de reforço, 43,7%, e a população acima de 40 anos, com direito a segunda dose de reforço, 16,7%. Em Curitiba (PR), a primeira dose do imunizante chegou a 88,1% da população, a segunda (D2) a 83,3% e o reforço (D3) a 63,3%.

    De acordo com Tânia Vergara, da Sociedade de Infectologia do Estado do Rio de Janeiro, ir aos postos de saúde e tomar as doses consecutivas é um ato importante para que a doença não se manifeste de forma grave.

    Vergara aponta que, mesmo que o imunizante tenha sido planejado para combater um tipo de variante, ele oferece uma rede de proteção para as outras formas que existem ou possam surgir.

    “Você pode ter Covid, mas se está vacinado, a maior parte dos casos não é grave, 85% das pessoas no mundo que não têm o esquema vacinal completo, com a variante Ômicron circulando, são as que internam e a doença evolui de forma grave. É normal que as pessoas se revacinem para lembrar que o sistema imune existe. Por isso que a vacinação é feita periodicamente. Vacina é um ato de respeito, de amor, a si próprio e ao próximo”, defende a médica

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