Estamos conseguindo evitar terceira onda de Covid no estado de SP, diz Gabbardo

Coordenador-executivo do Centro de Continência Contra a Covid-19 do estado de São Paulo diz que melhora nos indicadores tem relação com vacinas e distanciamento

Gregory Prudenciano e Renata Souza*, da CNN, em São Paulo

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Em entrevista à CNN, o coordenador-executivo do Centro de Continência Contra a Covid-19 do estado de São Paulo, João Gabbardo, afirmou neste sábado (26) que os indicadores da pandemia no estado estão em um momento favorável e apontam para uma redução dos números também nas próximas semanas.

Assim, sustentou Gabbardo, São Paulo está conseguindo “evitar aquilo que muitos estavam prevendo, que nós teríamos uma terceira onda” de contaminação pela Covid-19

“A ocupação de leitos de UTI no estado de São Paulo hoje está em 76%, e na região da Grande São Paulo está em 70%. Isso significa que as medidas que foram estabelecidas e que foram sugeridas pelo Contro de Contingência estão corretas, estão dando certo”, afirmou o médico. 

Gabbardo reconheceu, no entanto, que os números ainda estão “em patamar muito elevado” em São Paulo e no Brasil como um todo, o que favorece o surgimento de novas variantes do novo coronavírus. Questionado sobre a variante originária da Índia, Gabbardo afirmou que ainda não foi identificada a circulação da nova cepa em São Paulo. 

O especialista disse que na semana epidemiológica 25, encerrada neste sábado, houve redução de 7% no número de casos, de 9% nas internações hospitalares e de 3% no número de óbitos. Foi a primeira vez que os três indicadores apresentaram redução, ao mesmo tempo, no estado de São Paulo. 

O resultado, afirmou Gabbardo, é consequência tanto dos cuidados mantidos pelos paulistanos, como o uso de máscaras, a higienização das mãos e a rejeição a aglomerações, quanto do avanço do processo de imunização contra a Covid-19 no estado. 

“Podemos dizer que a população acima de 70 anos já está em quase 100% de cobertura, quase 100% das pessoas com mais de 70 anos já estão com as duas doses aplicadas”, informou.

“Na população entre 50 e 70 anos, esse número é muito menor, fica na média de 40%. São essas populações que, por uma sensação de segurança, acabam se expondo mais, e tem aumentado o número de casos e de internações, por isso é importante que mesmo aqueles que estão vacinados continuem se protegendo”, pontuou Gabbardo. 

Com a redução no número de internações, o governo de São Paulo espera que haja queda mais substancial também no número de mortes em duas ou três semanas. 

Movimentação no centro de Campinas, em São Paulo, em meio a pandemia da Covid-19
Movimentação no centro de Campinas, em São Paulo, em meio a pandemia da Covid-19
Foto: Karen Fontes/Ishoot/Estadão Conteúdo (15.fev.2021)

Calendário de vacinação

João Gabbardo disse que o estado de São Paulo caminha para cumprir o calendário de vacinação conforme divulgado pelo governo do estado, que estima que todas as pessoas acima de 18 anos já tenham recebido ao menos uma dose de vacina contra a Covid-19 até o dia 15 de setembro.

Dias depois do anúncio do governador João Doria (PSDB), contudo, a cidade de São Paulo registrou falta de imunizantes em centenas de Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e teve de suspender a vacinação. Apesar do susto, Gabbardo afirmou à CNN estar convicto de que o calendário será cumprido.

“Temos convicção de que ainda é possível concluir até o dia 15 de setembro, mas sempre depende da chegada de novas vacinas. O Ministério da Saúde está recebendo neste mês até um pouco mais de vacinas do que estava previsto, então não temos um indicativo de que não vamos poder cumprir com o planejamento”, disse o membro do Centro de Contingência. 

O especialista estimou que o Brasil pode iniciar um processo de “volta ao normal” somente quando a cobertura vacinal de sua população estiver entre 70% e 75%, bem mais do que os cerca de 30% de atualmente. 

O número também vale para o estado de São Paulo, disse Gabbardo, que espera atingir essa taxa entre os meses de setembro e outubro. Para chegar a 100% de cobertura, no entanto, o estado deverá esperar um pouco mais, por conta do espaço entre as primeiras e segundas doses das vacinas. 

(*Sob supervisão de Jorge Fernando Rodrigues)

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