Estudo da Fiocruz mostra que todas as vacinas no país são eficazes contra a Covid

Primeira edição do boletim sobre eficácia das vacinas na população brasileira mostra índices satisfatórios para todos os imunizantes

Estudo analisou as quatro vacinas aplicadas no Brasil no período de janeiro a outubro deste ano e mostrou que todos os imunizantes conferem grande redução do risco de infecções
Estudo analisou as quatro vacinas aplicadas no Brasil no período de janeiro a outubro deste ano e mostrou que todos os imunizantes conferem grande redução do risco de infecções Josué Damacena/IOC/Fiocruz

Iuri Corsinida CNN

No Rio de Janeiro

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Todas as vacinas que estão sendo administradas no Brasil são eficazes contra a Covid-19. É o que aponta a Fiocruz, em seu primeiro boletim sobre eficácia das vacinas contra o vírus, divulgado nesta sexta-feira (10).

Chamado de projeto Vigivac, o estudo analisou as quatro vacinas aplicadas no Brasil no período de janeiro a outubro deste ano e mostrou que todos os imunizantes conferem grande redução do risco de infecções, internações e mortes em decorrência da Covid.

O levantamento foi feito a partir de um banco de dados com base nas informações de mais de 150 milhões de pessoas que haviam completado o esquema vacinal há 14 dias.

Nas faixas etárias de 20 a 80 anos, considerando casos graves que precisaram de internação, a proteção variou entre 83% e 99% para todas as vacinas.  Nas pessoas abaixo dos 60 anos, todos os imunizantes mostraram eficácia acima de 85% contra o risco de hospitalização e acima de 89% para o risco de morte.

A fundação listou a eficácia para cada tipo de vacina disponível no país.

AstraZeneca

Em relação à AstraZeneca, a vacina mais utilizada, os números foram extremamente positivos. Na população de até 59 anos, o imunizante apresentou efetividade de 99% contra mortes.

Porém, quanto maior a faixa etária, menor a eficácia da vacina. Nas pessoas de 60 a 69 anos a proteção contra o vírus foi de 89% contra hospitalizações e de 97% contra óbitos.

Já no grupo de 70 a 79 anos, a proteção contra hospitalização foi de 84% e contra mortes ficou em 90%. Enquanto nos indivíduos acima dos 80 anos, a vacina da Astrazeneca mostrou eficácia de 82% contra hospitalizações e 91% contra mortes.

Coronavac

Em relação à Coronavac, entre as pessoas de 18 a 59 anos, a proteção variou de 89% a 95%, em relação a mortes e de 85% a 91% para hospitalizações.

Houve, segundo a Fiocruz, queda significativa da eficácia nas pessoas acima dos 60 anos. Na faixa etária de 60 a 69 anos a proteção contra formas graves da doença foi de 81%, chegando a 64% em maiores de 80 anos.

Pfizer

Segundo a Fiocruz, a vacina da Pfizer também se mostrou eficaz. Na população de até 59 anos ficou em 99% tanto para óbitos quanto para internações.

O instituto explicou que este alto índice pode ser explicado em decorrência de a vacina ter sido aplicada na população mais jovem “e em momento epidêmico com menor circulação do vírus, o que pode favorecer a efetividade da vacina”.

Janssen

Já para o imunizante da Janssen, o estudo apontou uma menor proteção na população de até 59 anos, especialmente em relação aos óbitos.

A proteção variou de 78% a 94% contra óbitos e 88% e 91% contra hospitalizações. Nas pessoas com 80 anos ou mais, a proteção contra óbito foi de 91%, e contra hospitalização, de 93%.

Os dados para a pesquisa foram coletados da Campanha Nacional de Vacinação contra Covid-19 (Vacinação Covid-19); Notificações de Síndromes Gripais (e-SUS Notifica) e Notificações de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG 2020 e 2021; SIVEP-Gripe).

O estudo foi coordenado pelo pesquisador Manoel Barral, da Fiocruz Bahia.

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