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    Estudo diz que fumar maconha causa envelhecimento precoce

    Pesquisadores dos EUA descobriram que fumar maconha causa alterações em um gene específico, chamado AHRR — esse mesmo gene apresenta alterações semelhantes associadas ao tabagismo e à poluição do ar

    Cannabis Sativa
    Cannabis Sativa Pixabay

    Ingrid Oliveirada CNN

    Um novo estudo publicado na revista Drug and Alcohol Dependence descobriu que fumar Cannabis (maconha) pode acelerar o processo de envelhecimento natural do corpo.

    Já é sabido que a velocidade com que envelhecemos não depende apenas do tempo. Alguns fatores ambientais também têm papel fundamental na taxa do envelhecimento. E essas influências contribuem para alterações da epigenética — mecanismos bioquímicos que alteram o funcionamento das células e até traços de hereditariedade sem mexer diretamente no DNA.

    No estudo, feito por pesquisadores dos Estados Unidos, os cientistas analisaram os epigenomas de 154 pessoas. Os participantes foram escolhidos aos 13 anos e precisavam relatar o nível anual de uso de maconha por um período de 17 anos.

    Dessa forma, os pesquisadores usaram dois relógios epigenéticos separados para analisar amostras de sangue de cada indivíduo.

    Com o avanço da tecnologia, a ciência desenvolveu ferramentas como “relógios epigenéticos”, que analisam os padrões de metilação do DNA (modificação química) para determinar a idade biológica de uma pessoa.

    Neste caso, os autores do estudo queriam investigar se fumar maconha traz uma discrepância entre o epigenoma de um indivíduo e sua idade real.

    A pesquisa descobriu que quem faz uso de maconha com frequência, quando atinge 30 anos, tem maior ativação genética além do envelhecimento natural.

    “O uso de maconha trouxe mudanças epigenéticas ligadas ao envelhecimento acelerado, com evidências sugerindo que os efeitos podem ser principalmente devido à inalação de hidrocarbonetos entre os fumantes de maconha”, escreveram.

    O estudo também mostrou que houve uma relação dose-efeito observada de tal forma que apenas dentro da população de usuários de maconha, níveis mais altos de uso na vida estavam ligados a uma maior aceleração epigenética da idade.

    As alterações aconteceram em um gene repressor de receptor de hidrocarboneto específico chamado AHRR — esse mesmo gene apresenta alterações semelhantes associadas ao tabagismo e à poluição do ar.

    Os pesquisadores acreditam que os efeitos epigenéticos do envelhecimento da cannabis são provavelmente causados ​​pelo ato em si de fumar, e não pela ingestão de tetra-hidrocarbinol (THC), substância da maconha, ou qualquer outro componente ativo da erva.

    “Essas descobertas são todas consistentes, embora não possam estabelecer conclusivamente, um papel causal do uso de maconha no envelhecimento epigenético”, escreveram.

    Os cientistas afirmam que outras pesquisas são necessárias para explorar os mecanismos por trás dessa ligação.