Estudo monitora pacientes brasileiros com sequelas da Covid-19

Relatos são de fadiga e alteração no olfato e paladar; médicos não sabem dizer quanto tempo podem durar

Roberta Russo
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Um estudo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior de São Paulo, quer entender por que, mesmo depois de curadas da Covid-19, algumas pessoas relatam que continuam com sintomas da doença, como perda de olfato de paladar. Para tanto, acompanhará 80 pacientes ao longo de três anos, monitorando os danos neurológicos de quem já se curou.

"Esse é um vírus que não respeita nem órgãos e nem sistema. Ele chega até onde era inimaginável quando começamos a estudar essa pandemia. Hoje com três mil altas no Hospital das Clínicas que estamos acompanhando sistematicamente, sabemos que as sequelas são as mais variadas", diz a professora da faculdade de Medicina da USP Linamara Rizzo Battistella. 

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Foto: Gerd Altmann/Pixabay

"Temos questões que envolvem o funcionamento do sistema nervoso central, do sistema músculo-esquelético, da questão da deglutição e comunicação, da consciência, e até o sistema respiratório. Mas todos eles juntos e misturados", continua ela.

"A gente percebe que tem uma queixa de mais de 30% de cefaleia e fadiga, mais ou menos 20% que se queixa de sonolência diurna e alteração de memória. Acredito que as pessoas vão se recuperar", conta Clarissa Yassuda, professora de neurologia da Unicamp e coordenadora do estudo.

Os médicos não sabem explicar exatamente o que causa esses sintomas, nem se alguns pacientes podem ficar com as sequelas ao longo da vida, mas acreditam que a maioria vai voltar ao normal. Assista à íntegra acima.