Exame de sangue pode ampliar acesso ao diagnóstico de Alzheimer

Pesquisador brasileiro explica como o exame sanguíneo pode identificar alterações cerebrais até 30 anos antes dos primeiros sintomas da doença

Da CNN Brasil
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O pesquisador Wagner Brum, premiado por seu trabalho sobre diagnóstico do Alzheimer, revelou detalhes sobre como um novo exame de sangue pode transformar a detecção precoce da doença.

Em entrevista à CNN Brasil, ele explicou que o Alzheimer está associado ao acúmulo anormal de duas proteínas no cérebro, que formam placas e causam perda progressiva de função cerebral.

Segundo Brum, o exame de sangue chamado Petal 217 consegue identificar essas alterações proteicas muito antes do surgimento dos primeiros sintomas. "Essas proteínas começam a se acumular no cérebro em torno de 20 a 30 anos, em média, antes do começo dos sintomas", explicou o pesquisador.

O especialista fez questão de esclarecer que, embora o Alzheimer tenha um componente genético importante, os casos hereditários representam menos de 1% do total. "A doença de Alzheimer tem um componente genético importante, mas não é aquela doença determinante. Pode ser que teu pai e tua mãe tenham tido Alzheimer desde que tenha sido a variante esporádica e não a familiar, e isso é uma diferença importante", destacou.

Implementação do exame e desafios

Por enquanto, o exame está começando a ser adotado na prática clínica, mas com restrições importantes. "Em pessoas sem sintomas, não recomendamos o uso do exame de sangue. Recomendamos mais para a questão do diagnóstico diferencial, ajudar naquela pessoa que já está com problemas", esclareceu Brum.

O pesquisador coordena, junto com o professor Eduardo Zimmer, o estudo IB Bioneuro (Iniciativa Brasileira de Biomarcadores para Doenças Neurodegenerativas), que conta com o apoio do Ministério da Saúde. Um dos principais objetivos da pesquisa é demonstrar a eficácia do exame na população brasileira.

Brum também desenvolve pesquisas no Zimmer Lab, laboratório liderado pelo neurocientista Eduardo Zimmer. Ele é o quarto cientista do grupo a receber a distinção. O grupo é dedicado aos estudos de doenças degenerativas e a estrutura foi financiada por meio de editais e recursos do Ministério da Saúde, CAPES, Instituto Serrapilheira e IDOR Ciência Pioneira.

"Nosso principal desafio é mostrar que o exame funciona na população brasileira e implementá-lo em larga escala, além de capacitar os profissionais que veem esses pacientes a interpretá-los e solicitá-los", afirmou Brum. Ele destacou que técnicas anteriores para diagnóstico de Alzheimer não foram amplamente adotadas no Brasil por serem caras ou invasivas.

O exame de sangue representa uma evolução significativa por ser menos invasivo e potencialmente mais acessível, podendo ajudar tanto médicos especialistas quanto generalistas no diagnóstico correto de pacientes com queixas cognitivas.

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