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    “Exigência de prescrição aumenta a desigualdade”, explica médico Renato Kfouri

    Para representante da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), pedir prescrição para vacinar crianças é "um grande desserviço do Ministério da Saúde"

    Duda CambraiaArtur Nicocelida CNN

    São Paulo

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    Após a declaração do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, na noite da última quinta-feira (23), de que a vacinação contra a Covid-19 para crianças de 5 a 11 precisariam de prescrição médica e um “termo de consentimento livre declarado”, grande parte do setor de saúde se posicionou nesta sexta-feira contra a medida.

    Em entrevista à CNN, Renato Kfouri, representante da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), afirma que a ideia do ministério é um “grande desserviço para a população” e que esse movimento ressalta a desigualdade social.

    “Não podemos obrigar que famílias desfavorecidas tenham que passar por consultas médicas que podem demorar muito tempo, enquanto se dá a oportunidade para as famílias mais privilegiadas, já que costumam ter mais acesso aos médicos”, explica Kfouri.

    Ele diz ainda que a medida do Ministério fere a igualdade “presente do estatuto da criança e do adolescente”. O médico afirma que nenhuma medida judicial pode passar a constituição.

    O representante da SBIm também critica a medida de consulta pública aberta pelo Ministério. “Não adianta criar esse mecanismo quando grupos antivacinas, comandados pelo presidente [Jair Bolsonaro (PL)] influenciam no levantamento. Ainda mais quando se tem diversos robôs que não representam a população e, consequentemente, descredenciam os imunizantes”.

    Como saída, Kfouri apresenta duas oportunidades: realizar uma pesquisa encomendada com representatividade nos estados e economicamente, “não respondida por máquinas”, e “basta olhar o número de vacinação nos adolescentes de 12 a 17 anos que você saberá se a população tem interesse em vacinar.

    Dados do Ministério da Saúde mostram que, ao todo, mais de 75% da população brasileira já recebeu a primeira dose, e mais de 65,5% das pessoas estão com o esquema vacinal completo – ou seja, tomaram duas doses ou a vacina de dose única.

    Outra ideia que o médico critica é o pensamento de ‘não morreram crianças o suficiente para ser realizada a vacinação’. Ele diz que “patamares aceitáveis de morte é indiscutível. Não estamos falando de idosos com cerca de 90 anos, mas de uma vida inteira”.

    Para Kfouri, a única chance de se ter uma carta médica é se “alguma criança em condição especial, segundo avaliações médicas, não precisar se vacinar por questões de saúde. Assim, gerando um atestado de dispensa”.

    “É necessário celeridade, não atos protelatórios desnecessários”, finaliza.

    A Pfizer respondeu à CNN, em nova manifestação, que estima entregar as vacinas para crianças a partir de janeiro de 2022.

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