Opas manifesta apoio à vacinação de crianças no Brasil

Braço continental da OMS se tornou signatário da nota da CTAI Covid-19

Governo abriu consulta pública sobre a vacinação infantil
Governo abriu consulta pública sobre a vacinação infantil Reuters

Stéfano Sallesda CNN

no Rio de Janeiro

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A nota da Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização da Covid-19 (CTAI Covid-19), que recomendou, por unanimidade, a vacinação de crianças de cinco a 11 anos com o imunizante da Pfizer, na última sexta-feira (17), recebeu um reforço importante.

O documento foi assinado, nesta sexta-feira (24), pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), braço da Organização Mundial da Saúde (OMS) para o continente.

A comissão aprovou a vacinação um dia depois da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ter aprovado o uso do imunizante para este público.

Na quinta-feira (23) a CTAI Covid-19 divulgou a nota pública, assinada por todos os seus membros que a compõem, para este fim, e por entidades que compõem o órgão.

Segundo fontes da que integram a CTAI Covid-19, a Opas tradicionalmente participa do órgão, mas, em geral, não vota em nenhum tema.

A organização prefere atuar como observadora, para não haver interferência na autonomia interna dos países que a compõem. No documento, o posicionamento da comissão foi:

“Tendo em vista o recente parecer favorável por parte da ANVISA em relação ao pedido de autorização para aplicação da vacina desenvolvida pela fabricante Pfizer na população pediátrica entre 5 e 11 anos de idade no Brasil, a CTAI COVID-19 manifestou-se unanimemente favorável à sua incorporação na campanha nacional de vacinação, em reunião ordinária realizada no dia 17 de dezembro de 2021”.

Coordenador do programa InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e participante da CTAI Covid-19, Marcelo Gomes enfatiza o papel simbólico do apoio da organização à iniciativa, aprovada por 12 entidades, outras duas organizações e sete especialistas ad hoc, além de representantes de órgãos públicos e departamentos diversos.

“O fato da Anvisa e da CTAI Covid-19 terem aprovado, já é importante, porque mostra que não há dúvidas do ponto de vista técnico-científico de que a vacina é segura e fundamental. A Opas solicitar inclusão é expressivo, porque ela usualmente se coloca como observadora e auxiliar na comissão. Atua como parceria na geração de dados e subsídios, sem nunca querer interferir na autonomia dos estados e da federação sobre os temas”, explica.

O ministro da Saúde Marcelo Queiroga decidiu promover uma consulta pública sobre a vacinação infantil, aberta nesta véspera de Natal, no sítio oficial da pasta.

Na noite de quinta-feira (23), o ministro afirmou que a imunização deste grupo etário estará atrelada à prescrição médica e à apresentação de um termo de consentimento. Atualmente, há cerca de 20 milhões de crianças desta faixa etária no país.

“Não há a menor necessidade de prescrição para a vacina. Lançar mão de um mecanismo de consulta pública para tratar desse tema, que é extremamente técnico-científico, e que já está muito bem embasado, é surpreendente. Porque não é a via natural de trabalhar esse tipo de questão”, afirma Gomes.

“Se há o entendimento de que a população tem algum tipo de dúvida, o que é legítimo, que se trabalhe com mecanismos adequados de inquérito populacional para levantar as principais dúvidas e trabalhar em cima disto. Há metodologias específicas e o Brasil está qualificado para isto. A partir daí, estabelecer estratégias adequadas de comunicação”, conclui.

Nesta sexta-feira, o presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Carlos Lula, elabora uma nota na qual o órgão se posicionará contra a proposta do governo federal. A previsão do conselho é que o documento seja divulgado ao longo o dia.

Depois de 13 dias fora do ar, por conta de um ataque hacker, a plataforma ConecteSus voltou a funcionar nesta sexta-feira, segundo o Ministério da Saúde.

A ferramenta é utilizada para que as pessoas consigam obter seus comprovantes de vacinação, para acesso a ambientes onde haja restrição estabelecida para não vacinados, definidas por autoridades municipais ou estaduais.

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