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    Falta de máscaras em transporte público amplia capacidade de contaminação da Covid-19

    Estudo feito pela Sociedade Brasileira de Controle de Contaminação (SBCC) apontou que quantidade de ar renovado no transporte público é menor que ideal

    Fabrizio Neitzkeda CNN

    Em São Paulo

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    Na edição desta terça-feira (1) do quadro Correspondente Médico, do Novo Dia, o neurocirurgião Fernando Gomes debateu os riscos causados pela aglomeração em transporte público para a disseminação da variante Ômicron do coronavírus.

    Um estudo feito pela Sociedade Brasileira de Controle de Contaminação (SBCC) analisou o tamanho do risco. A análise dos resultados indica que o transporte público possui um nível de aglomeração maior que a de um restaurante cheio ou um hospital, sem taxa de renovação do ar suficiente no interior dos veículos para a eliminação eficiente das gotículas contaminadas pelo vírus.

    De acordo com o relatório, em um veículo com capacidade para 95 pessoas, 100 litros de ar são renovados por segundo. A quantidade é menos do que a metade do volume ideal, de 243 litros de ar por segundo, que seria capaz de evitar contaminações, levando em consideração os cuidados utilizados normalmente durante a pandemia, como o uso de máscaras e outros gestos higiênicos.

    A falta de circulação em um ambiente apertado torna o transporte público ainda mais propício para infecções pelo Sars-CoV-2, explicou Fernando Gomes, acrescentando que a Ômicron possui capacidade maior de transmissão em relação a outras cepas.

    “Se você tem um ambiente confinado, em que muitas pessoas ficam aglomeradas durante um período de tempo variável, não tem jeito. Você cria quase que um celeiro para que aconteça a contaminação.”

    “Isso acaba sendo um ponto vulnerável que temos dentro da nossa sociedade. Sabemos que as pessoas precisam do transporte público para se locomover e, principalmente, para ir trabalhar, o que faz com que a transmissão seja muito maior”, afirmou.

    Gomes ressaltou que o uso da máscara faz grande diferença durante a realização dos trajetos, destacando não apenas o lado sanitário, mas também empático da questão. O médico recordou que pessoas gripadas podem se deslocar a um hospital de ônibus – e classificou como “imprudente” o acesso ao transporte público sem os cuidados necessários.

    “Quando você utiliza máscara, algo fica muito claro: você não está protegendo só a si próprio; na verdade, a proteção é muito maior para outras pessoas.”

    Para o neurocirurgião, a população deve levar em conta o momento atual da pandemia – no sábado (29), o Brasil ultrapassou 1 milhão de novos casos de Covid-19 em uma semana pela primeira vez  – e adotar precauções para não expor as pessoas ao redor.

    “Vai existir um momento em que a pandemia estará sob controle e a utilização de máscaras será, talvez, um comportamento de excesso. Mas, por enquanto, não tem cabimento não lançar mão destes recursos que sabemos que evitam a transmissão”, finalizou.

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