Felicidade coletiva é resultado “explosão” de neurotransmissores no cérebro

Vídeo de comemoração de jovem aprovado na OAB ao lado da família viralizou na internet nesta semana; sensação é resultado da empatia

Fabrizio Neitzkeda CNN

Em São Paulo

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Na edição desta quinta-feira (20) do quadro Correspondente Médico, do Novo Dia, o neurocirurgião Fernando Gomes explicou sobre a atuação da felicidade coletiva no cérebro – quando uma pessoa próxima conquista algo de muito desejo e acaba gerando a sensação de alegria em outros.

Nesta semana, um vídeo do jovem Bruno Henrique Sousa Silva, de 24 anos, viralizou na internet ao aparecer comemorando junto da família a aprovação no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O estudante paulistano precisou trancar a faculdade em 2019 por problemas financeiros, retornando dois anos mais tarde. Ele havia sido reprovado na primeira tentativa do exame, em 2021.

Em entrevista à CNN, Bruno confessou a surpresa com o resultado positivo e revelou que a descoberta saiu dos planos. “Uma amiga tinha ficado de ver a lista e me ligar se eu fosse aprovado. Eu estava vendo uma live de um professor umas duas horas antes do resultado sair e ele recomendou filmar a reação para lembrar daqui dez anos. Na hora de procurar, apareciam mil Brunos, mas não aparecia eu. Na quarta vez, pegou. Nunca na minha vida senti uma sensação tão gratificante”, revelou o novo advogado, que estava com a mãe, a avó e os irmãos.

Segundo Fernando Gomes, este tipo de momento é caracterizado no cérebro por uma “explosão” de neurotransmissores e circuitos que provocam o bem-estar. Em casos coletivos, mesmo para pessoas mais distantes, a sensação é resultado da empatia, que estimula a região ventromedial do córtex pré-frontal, a área responsável por escolhas e comportamentos nos seres humanos.

“É muito bonito, porque nos projetamos nesta situação. Quem nunca passou por uma situação difícil ou desafiadora? Um teste, uma prova, a tentativa de conseguir uma vaga de emprego… principalmente, quando tem todo o acolhimento de amigos e familiares torcendo”, disse.

O neurocirurgião explicou a necessidade de uma “troca” no momento da felicidade, compartilhando e “completando” o sentimento de alegria entre mais de uma pessoa. “Esse acolhimento tem uma função muito grande que é a de se sentir pertencente a um grupo, como se fosse um cardume de peixes.”

“Aqui, nós tivemos um desfecho favorável. Felizmente, ele conseguiu o que queria e passou. Mas e se fosse ao contrário? A família estava junto para dar suporte para ele, dar garra, passar por uma situação decepcionante e seguir em frente. Quando as pessoas estão juntas, tudo é mais fácil de ser superado”, afirmou.

Gomes também definiu a resiliência como um aspecto importante para o comportamento, sendo a capacidade dos seres humanos de retornarem ao estado “de base” tanto após momentos de grande felicidade quanto de grande tristeza. “Aqui, no caso, foi algo muito feliz. A mensagem que fica é que estamos diante de uma família unida que luta junto pelos seus objetivos”, finalizou.

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