Fiocruz aponta cenário de elevado risco para disseminação da variante Delta

Boletim revela preocupação com lenta vacinação, retorno de aulas e trabalho presencial

Beatriz Puente*, da CNN, no Rio de Janeiro

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 A nova edição do Boletim Observatório Covid-19 da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) aponta para uma combinação que considera arriscada. Segundo o estudo, a maior transmissibilidade da variante Delta, atrelada ao lento avanço da imunização entre os grupos mais jovens e mais expostos, que retornam às atividades de trabalho presencial e de educação, como as aulas escolares, pode provocar um cenário de elevado risco de contágio.  

Atualmente, o Brasil registra 435 casos confirmados da variante Delta. Dezenove estados estão com taxas de incidência em níveis considerados extremamente altos ou muito altos para o coronavírus, segundo a Fiocruz.

O Rio de Janeiro é o estado com maior número de casos registrados da cepa originária da Índia. Já são mais de 200 pessoas que testaram positivo para a variante. Porém, há estados em que a Delta ainda não foi identificada, como Amazonas, Mato Grosso e Bahia. A pneumologista e pesquisadora da Fiocruz, Margareth Dalcolmo, explicou à CNN que a distribuição não é homogênea, mas que o potencial de contaminação da Delta pode transformá-la na principal variante em circulação no Brasil.

“Esperamos que ela freie, mas tem risco grande que se espalhe. A distribuição é heterogênea nos estados. No Rio de Janeiro a situação é muito preocupante. Acredito que logo ficará dominante”, afirmou a pneumologista.   

O boletim mostrou também o declínio no número de internações e óbitos em todas as faixas etárias. Há, no entanto, uma estagnação nesse declínio entre a população mais idosa, o que pode apontar para uma possível alta nas taxas de internações e óbitos nas próximas semanas. Apesar dessa expectativa para o perfil dos pacientes, a pesquisadora chama atenção para o maior número de casos da variante Delta entre os jovens.

“A Delta parece, preliminarmente, mais transmissível e menos letal. E o perfil de quem tem se infectado com ela é com certeza mais jovem até agora. Nós já sabemos que a Covid é uma inflamação séria que pode complicar até nos jovens, que estão começando a serem vacinados agora. A vacina pode ajudar e muito. É preciso entender que tem que tomar as duas doses e que tem o período de 15 dias até ser considerado imunizado”, explicou Dalcolmo.   

Na capital do estado, dos 67 casos registrados da variante, mais de 40 foram em pessoas com idades entre 20 e 59 anos.  

Sequenciamento genômico do novo coronavírus
Pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) realizam o sequenciamento genômico do novo coronavírus
Foto: Josué Damacena (IOC/Fiocruz)

*Sob supervisão de Stéfano Salles

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